quinta-feira, 15 de Junho de 2017 08:07h Luiz Felipe Enes

Homem confessa ter matado a própria companheira usando arame farpado

Feminicídio teve requintes de crueldade e sem chances de defesa à vítima; ele também é suspeito de atentar contra a vida de uma mulher no interior paulista

Depois de meses de in­vestigação, um homem de 33 anos foi preso em Divinópolis suspeito de matar a própria companheira de 45 anos. Ele foi apresentado à imprensa na manhã de ontem, durante coletiva de imprensa, na de­legacia de Carmo do Cajuru. O corpo da mulher foi encon­trado no dia 23 de dezembro do ano passado, em estado de decomposição, em um alojamento abandonado da VLI!,empresa responsável Fer­rovia Centro Atlântica (FCA).

A ação da Polícia Civil co­meçou no mesmo dia em que o corpo foi localizado. Os investigadores da Polícia Civil começaram a monitorar andarilhos na cidade e durante conversa com algum deles, conseguiram identificar Ales­sandro de Souza, de 33 anos e Conceição Aparecida de Assis, 45. Os investigadores de polícia chegaram ainda a um comerciante da cidade, que disse ter doado um cobertor ao casal, o mesmo encontrado no alojamento com pertences da vítima.

Segundo o delegado titular de Carmo do Cajuru, “Dois andarilhos chegaram a men­cionar de um casal de outra localidade, que estaria na re­gião e do nada, sumiu. Então a partir disso verificou-se junto, também aos comerciantes e um deles chegou a mencionar que sempre ajudava um se­nhor conhecido como Alexan­dre e uma senhora conhecida como Conceição, inclusive ele havia dado um cobertor a esse Alexandre. A partir disso, o in­vestigador Alisson e o escrivão Rodrigo levaram esse cobertor ao comerciante e ele reconhe­ceu como sendo aquele dado a eles”.

Pela situação do corpo, na ocasião, não era possível sequer identificar o sexo da vítima. A PC acredita que o assassinato tenha ocorrido em novembro de 2016. “Quando o corpo foi localizado, já estava no estado coliquativo, em processo de esqueletização, quando o corpo está soltando gases e o cheiro forte. Tinha algumas partes do corpo em que aparecia o esqueleto. Isso acontece, pelo menos, de 25 a 30 dias, então o corpo foi encontrado no dia 23 de de­zembro, então, possivelmente, foi em novembro que ocorreu esse homicídio”, explicou o delegado Wesley Amaral.

IDENTIFICAÇÃO

Devido ao estado de de­composição, a Polícia Civil de Carmo do Cajuru encaminhou material genético da vítima para o setor de Antropologia Forense em Belo Horizon­te para análise de DNA. No decorrer das investigações, agentes da PC, em conversa com moradores, descobriram que Conceição seria natural da cidade de Juatuba. Contu­do, investigadores da cidade em contato com uma equipe da Polícia Civil de Juatuba, na região central do Estado, localizaram a filha de Concei­ção, que veio reconhecer os pertences da mãe.

De acordo com Wesley Amaral, delegado titular de Carmo do Cajuru, a filha esta­va preocupada com o sumiço da mãe. “Ela havia dito que mãe estava desaparecida há mais de dois meses. Período este que não era normal dela passar longe de casa sem dar nenhum tipo de notícia. Então, ela veio à delegacia e identi­ficou as roupas que estavam no cadáver, outras roupas que estavam no local, bem como a mochila, tendo ela já chorado bastante, quando viu a inscrição C.A.A., que são as iniciais do nome da Concei­ção”, contou.

No dia em que o corpo de Conceição foi localizado, a polícia encontrou próximo à vítima, uma mochila com as iniciais C.A.A., algumas roupas e cobertor. “O quadro probatório foi muito mínimo, porque quando encontrou o corpo, tão somente foi possível verificar que havia ao redor do pescoço da vítima um arame farpado, bem como ali, uma mochila escrita C.A.A., algu­mas roupas e um cobertor”, acrescentou o delegado.

BRUTALIDADE

Conforme as investiga­ções, Conceição foi morta por Alessandro de forma cruel. Dias antes do crime, eles es­tiveram na cidade de Itaúna e o comportamento da mulher irritava o suspeito. “Foi um crime premeditado. Refa­zendo os últimos passos da vida da vítima, uma semana aproximadamente antes dela morrer, eles estivaram na ci­dade de Itaúna, aonde eles fizeram o uso de drogas, tudo junto com outros andarilhos. Nisso, eles não tinham mais dinheiro. Foi quando então, a Conceição começou a trocar drogas por sexo com outros andarilhos. Nesse ponto, ele começou a ficar irritado com ela”, revelou Wesley.

O casal vivia junto há apro­ximadamente quatro meses. Alexandre disse na delegacia que estava sendo provocado pela mulher e não aceitava al­guns comportamentos, como mencionado o delegado. “Nis­so, ela começou a provocá-lo, disse que ele fedia, não gostava de tomar banho, não satisfazia ela sexualmente, enquanto outros homens a satisfaziam. A partir disso, ele premeditou a morte dela. Foi quando ele a embriagou no dia do homicí­dio. Já embriagada no chão, ele pisou na cabeça dela, pegou um arame farpado, desses utilizados para fazer cerca de gado, passou em volta do pescoço dela e a estrangulou até a morte”.

MAIS OU MENOS ARREPEN­DIDO

Identificado inicialmente como Alexandre Augusto, o suspeito disse posteriormente se chamar Alessandro de Sou­za. Como os nomes não batem, a Polícia Civil deverá solicitar a confirmação da identidade por meio da ficha papilos­cópica na capital mineira. O homem foi preso pela Polícia Militar no último sábado, na praça do Santuário, Centro de Divinópolis. Alessandro de Souza também é suspeito de outro feminicídio no interior de São Paulo. Ele confirmou a informação à polícia mineira, mas aos jornalistas, durante coletiva, prestou outra versão.

“Não matei não. Só essa mesmo que eu matei.Lá em São Paulo eu só espanquei, não cheguei a matar ela não. Porque ela era cachaceira, usu­ária de drogas também ela era (sic)”, disse Alessandro.

Ainda durante os questio­namentos feitos pelos jornalis­tas, Alessandro explicou como cometeu o crime e disse estar ‘mais ou menos arrependido. “Ela me traia e era usuária de drogas ela era. Porque eu tava com raiva dela já. Chamei ela para o local porque estava com raiva dela já. Ela tava dormin­do, ela tava meio chapada, aí amarrei o arame farpado no pescoço dela (sic)”.

“Você se arrepende?” Perguntou os jornalistas: E a resposta de Alessandro foi a seguinte: “Um pouco sim, um pouco não. Porque ela me humilhava muito na rua, ela morava na rua também. Fica na roda bebendo pinga, usando drogas. Eu falei - para com isso, sô, vamos embora. E ela ficava desobedecendo eu. Aí tem coisa que eu não arrependo muito não”, disse com firmeza.

DESDOBRAMENTO

A Polícia Civil disse ainda que Alessandro será respon­sabilizado pelo crime de ho­micídio qualificado, pelo fato de a vítima ser mulher e pela impossibilidade de defesa e a crueldade. Ambos possuíam registro criminal. Alessandro por furto e a vítima por tráfico e furto. O delegado explicou, por fim, que acionará a Polícia Civil de São Paulo para saber maiores informações sobre o possível envolvimento do suspeito em outro assassinato.

“Aqui em Minas Gerais possivelmente será condena­do pelo homicídio qualificado, bem como pela qualificadora de defesa da vítima. Além dis­so, vai ser verificado ao certo que aconteceu no estado de São Paulo para que ele possa responder também por esse crime no estado de São Paulo”, finalizou Wesley.

O suspeito de ter come­tido o crime está detido no presídio Floramar desde o último sábado (10), quando o juiz plantonista autorizou a prisão de Alexandre. A Polícia Civil aguarda o levantamento de informações referentes a real identidade do suspeito e o inquérito deverá ser concluído nos próximos dias e encami­nhado ao poder judiciário, que definirá a sentença do suspeito.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.