sexta-feira, 19 de Maio de 2017 08:55h Luiz Felipe Enes

PF cumpre mandados de busca na fazenda de Aécio em Cláudio

Agentes também estiveram na fazenda de um primo do senador. Um pendrive e uma espingarda foram apreendidos, levados para Divinópolis e encaminhados para Brasília

Após a delação de Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal cumpriram um mandado de busca e apreensão em dois imóveis ligados ao senador Aécio Neves (PSDB) na cidade Cláudio, região centro-oeste do estado, na manhã dessa quinta-feira (18).

A medida foi tomada após Joesley entregar para a Procuradoria Geral da República (PGR), um áudio em que o senador pedia R$ 2 milhões ao dono da JBS justificando necessitar do valor para arcar com as despesas de defesa da Lava Jato. A informação foi divulgada pelo jornal ‘O Globo’.

O trabalho da Polícia Federal começou cedo. Os agentes da PF saíram de Divinópolis durante a madrugada e, divididos em quatro viaturas, foram à fazenda de Aécio Neves, situada na comunidade rural de ‘Matias’, e também na fazenda do primo dele, Frederico Pacheco Medeiros, também na cidade de Cláudio. Frederico é primo e foi braço direito de Aécio durante a campanha eleitoral de 2014.

Ele também foi diretor da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e teria recebido o dinheiro para Aécio. Frederico foi preso em casa, em um condomínio na cidade de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. A irmã de Aécio, Andréa Neves, também foi presa ontem por agentes da PF e do Ministério Público Federal em um condomínio de luxo em Brumadinho, na grande BH. Ainda na tarde de ontem, a irmã do senador foi levada ao Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto.

Também citado na delação da JBS, o assessor parlamentar e cunhado do senador Zezé Perrella (PMDB), Mendherson Souza Lima, foi detido na capital em virtude da operação ‘Patmos’.

OPERAÇÃO PATMOS

De acordo com a Polícia Federal, R$ 2 milhões já foram apreendidos durante a operação, que tem como alvos os senadores Aécio Neves, Zezé Perrella, além do deputado Rocha Loures (PMDB), do Paraná, e de pessoas ligadas a eles.

Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a ação já cumpriu 49 mandados judiciais. Foram 41 de busca e apreensão e oito de prisão preventiva, entre eles o da irmã de Aécio, Andréa Neves, com o objetivo de coletar provas de crimes de corrupção e contra a administração pública. Andréa, irmã do senador mineiro e assessora é suspeita de ter pedido dinheiro ao empresário Joesley Batista, em nome de Aécio.

Na cidade de Cláudio, a Polícia Federal apreendeu um pen drive e uma espingarda. Os materiais foram levados, primeiramente, à sede da PF em Divinópolis e posteriormente, encaminhados para Brasília.

Relator da Lava Jato, o ministro Luiz Edson Fachin negou o pedido de prisão preventiva do tucano. O ministro justificou que a situação de Aécio seria discutida em plenário, no STF (Supremo Tribunal Federal). Embora tenha negado, Fachin suspendeu o mandado de senador de Aécio Neves, que encerraria seu mandato em 2018. Com a medida, o senador mineiro está proibido de ter contato com qualquer outro réu ou investigado e também está proibido de deixar o Brasil, tendo de entregar o passaporte.

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