quinta-feira, 4 de Janeiro de 2018 13:15h Pollyanna Martins

Jaime Martins faz balanço do último ano de mandato e não descarta disputar o Governo do Estado neste ano

“São expectativas, eu vou fazer o que eu achar que for melhor para a população, sobretudo para a população divinopolitana”, Jaime Martins sobre uma possível candidatura do Governo do Estado neste ano

Aos 64 anos, sendo 23 dedicados à política, o Deputado Federal Jaime Martins (PSD) está em seu sexto mandato e não descarta disputar o Governo do Estado neste ano. O deputado, que votou a favor da Reforma Trabalhista, fez uma análise do atual cenário político e econômico do Brasil e diz ainda não ter seu voto definido sobre a Reforma da Previdência.

Primeiro, nós gostaríamos que o senhor fizesse um balanço geral desse cenário político que nós estamos vivendo atualmente no Brasil, que acabou se tornando desgastante para os brasileiros.

Foi um ano difícil, um ano de crise econômica, portanto, mexeu no bolso dos brasileiros, mexeu no emprego, mexeu na renda familiar, mexeu com a receita das empresas brasileiras, foi um ano difícil do ponto de vista econômico. Como plano de fundo, uma crise política, que foi a principal causadora da crise econômica. O desgoverno, o descontrole dos gastos públicos e a sensação do brasileiro é de que estava sendo lesado, porque o Governo enfia a mão no bolso do brasileiro e aplica mal os recursos arrecadados com impostos. Então existe sim, por parte dos brasileiros, uma revolta e às vezes uma ponta de desesperança. Esse é o sentimento que o brasileiro carrega no final ano. A gente espera que 2018 seja um ano diferente. Seja um ano de resgate da credibilidade, da esperança. Vamos ter um ano de eleições, e que estas eleições também possam representar uma esperança e eu torço muito para que o eleitor assuma a plenitude que ele é o dono do poder, e que cabe a ele fazer essas mudanças, então melhor que seja de forma ordeira e democrática.

O senhor acredita que haverá uma grande renovação nas próximas eleições?

Eu gostaria que tivesse uma grande renovação, mas eu não acredito que a renovação chegará a este ponto. Vejo que muitos estão falando em votar em branco, em não votar, em desperdiçar o seu voto e certamente esta não é uma boa solução, esta não é uma forma adequada de você protestar. Votar no Tiririca, votar em uma pessoa que não tem condições nenhuma de representar o povo também não é uma forma de protestar. A melhor forma de protestar é pesquisar a vida das pessoas, pesquisar a intenção, pesquisar o passado e escolher o melhor. Escolher aquele que tem mais condições de exercer a representatividade. E, para exercer bem a representatividade, você precisa de alguns filtros. Primeiro é o filtro da moralidade. O segundo filtro é o filtro da qualificação. A pessoa precisa ter ética, ter bons princípios, mas é preciso também estar qualificado para poder ter um bom debate e para poder votar certo. Muitas vezes, se a pessoa é moralmente adequada, mas não está preparada para os desafios, acaba perdendo a qualificação do debate. Os bons que já existem têm vontade de abandonar e os oportunistas querem cada vez mais se aproximar, porque basta uma mentira, um vídeo postado nas redes sociais falando mal de alguém ou xingando alguém para virar ídolo popular. Esse é um risco que está no horizonte, ou seja, pode mudar para pior.

O senhor votou a favor da Reforma Trabalhista. O senhor acredita que esta reforma trouxe resultados para o desemprego no Brasil, mesmo com grandes centros demitindo em massa para aproveitar as brechas desta reforma? Essa foi a melhor escolha para o país?

Eu acho que sim. Nós precisávamos flexibilizar as leis trabalhistas. Não adianta você encher de regras e de proteção, se são falsas proteções ao trabalhador. De nada adianta você estar protegido, mas estar desempregado. Então, o ambiente de competitividade no Brasil é muito ruim. As leis trabalhistas e a Justiça do Trabalho são algumas dessas razões. Claro que os juros altos também influenciam muito, a condição da nossa infraestrutura também prejudica muito a nossa competitividade, mas a legislação trabalhista mais moderna ajuda na geração de empregos e o principal direito que o trabalhador precisa ter é emprego e o salário em dia. Não foi tirado nenhum direito do trabalhador. O trabalhador continua tendo direito às férias, ao 13º salário, continua tendo como base o salário mínimo, que está sempre acima da inflação, o direito do trabalhador persiste. E eu vejo que o mercado de trabalho está absorvendo mão de obra. A redução do desemprego que nós experimentamos nos últimos dias certamente é uma das causas da reforma da legislação trabalhista.

O senhor acredita que as grandes universidades e as grandes empresas estão se aproveitando das brechas da reforma trabalhista para fazer essas demissões em massa?

Essas eventuais demissões se dão por causa da crise econômica. As grandes universidades, principalmente as universidades públicas, passam por uma fase de falta de recursos, decorrente da perda de arrecadação. Com o Estado arrecadando menos, ele tem menos condição de fazer investimento nas universidades públicas. As universidades privadas também passam por uma dificuldade, porque está caindo o número de alunos em função da crise, à medida que os alunos não conseguem pagar suas mensalidades. A melhoria da legislação trabalhista vem para regular e ajudar na geração de empregos. Se alguém foi demitido de um salário mais alto e teve que passar para um salário mais baixo, é porque certamente não merecia aquele salário mais alto. O mercado vai regular essa necessidade de mão de obra, vai regular o nível salarial e, com relação à reforma trabalhista, eu tenho certeza que ela foi boa. A gente precisa ter um senso de equilíbrio. Daquilo que é justo, daquilo que é correto e daquilo que pode propiciar uma melhora para a população em geral. Sempre focando naquele trabalhador de baixa renda, naquele trabalhador que sustenta a sua família, para que ele possa ter emprego e receber em dia, sempre em boas condições.

O senhor já definiu o seu voto sobre a Reforma da Previdência?

Não, porque a Reforma da Previdência ainda não tem um texto final. O texto que foi colocado pelo presidente Michel Temer nós não votaremos. Vamos votar contra. Entretanto, o relator tem feito uma série de amenizações. Quero deixar muito claro que eu sou contra privilégios. Nós temos uma casta de brasileiros privilegiados e não se justifica, em um país com tanto desemprego, tantas dificuldades da maioria dos trabalhadores, você manter essa casta de privilegiados, recebendo aposentadorias integrais, valores absolutamente estratosféricos e muitas vezes acima do teto constitucional. Então temos que acabar com a aposentadoria privilegiada dos políticos, acabar com a aposentadoria privilegiada dos ministros do Supremo, dos altos escalões do Judiciário, eu sou favorável. O que a gente quer é que o texto chegue a um ponto de justiça. Se o texto chegar a um ponto correto, eu não vou me furtar a votar aquilo que for bom para os brasileiros. Não é votar porque o Temer quer, porque o Temer pediu. Eu não faço necessariamente parte de uma base alinhada com este governo, eu estou alinhado e faço parte da base dos brasileiros, portanto, eu votarei naquilo que for de interesse da população.

Nós tivemos reformas que interferiram direto na vida do brasileiro, como o congelamento dos gastos com a saúde e a educação durante 20 anos, a Reforma Trabalhista e teremos a Reforma da Previdência. O senhor acredita que este é o caminho certo que o Governo Federal tem tomado para poder colocar o Brasil nos trilhos mais uma vez, sendo que 78% dos brasileiros pertencem à classe C, que é a mais afetada com essas mudanças?

Conter os gastos num total é uma coisa boa, porque se você não contém os gastos e você gasta mais do que arrecada, você cria uma dívida. Quando você cria uma dívida, você não cria uma dívida para um Governo, porque esse Governo acaba daqui quatro anos e a dívida permanece. Você cria uma dívida para os brasileiros. Então, essa contenção significa que irá exigir uma melhor gestão dos recursos públicos. Não se congelou gastos com a educação e nem com a saúde. Essa é uma visão equivocada da PEC. O que se congelou foram os gastos totais e eu espero que estes gastos totais sejam retirados de onde eles precisam ser retirados, que são dos megas salários, dos privilégios, dos superfaturamentos de obras. Eu espero que daí sejam retirados esses gastos, e que os gastos com a saúde e a educação continuem crescendo como precisam crescer.

O senhor vai sair a candidato ao Governo do Estado neste ano?

Existe um desejo do meu partido, que se manifestou durante uma reunião para que eu me candidatasse. O partido quer ter um candidato ao Governo do Estado, e o meu nome foi um dos que foram colocados. Naturalmente, não vamos fugir de nenhum desafio. O desafio do Estado hoje é extremamente difícil. Minas Gerais está em uma situação muito delicada. Passa por uma crise, que talvez seja a maior da sua história. Isso ainda está sendo conversado. São expectativas, eu vou fazer o que eu achar que for melhor para a população, sobretudo para a população divinopolitana. Acho que Divinópolis sempre teve o desejo de ter uma representação mais expressiva em termos do Estado, pois existem muitas demandas, mas certamente não estamos pensando em fazer uma mera aventura. A representatividade de deputado federal é muito importante. Eu tenho muito orgulho de ser o primeiro deputado federal da nossa cidade e de ter sempre tido aqui uma votação expressiva. Mas o meu foco nesse ponto da minha vida é fazer o que for melhor para Divinópolis e para a nossa gente.

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