quinta-feira, 7 de Dezembro de 2017 09:00h Diego Henrique

Funcionários da UPA estão há mais de duas semanas sem vale-transporte

Prefeitura afirma não ter recurso para quitar valores

Pelo menos 47 funcio­nários contratados pela Santa Casa de Formiga e que atuam na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA 24h) em Divinópolis estão com o vale-transporte atra­sado há cerca de cinco dias. Também está atrasado em 16 dias o repasse do ticket­-alimentação para 147 fun­cionários. De acordo com a direção da unidade, o atraso é decorrente do não repasse de verbas por parte do Município. Apesar dos atrasos, o superintendente da unidade descartou a possibilidade de paralisa­ção do atendimento.

A denúncia foi feita pelo vereador Cleitinho Azevedo (PPS) durante a reunião ordinária da última terça­-feira (4). Durante pronun­ciamento, o edil afirmou ter recebido a reclamação, através de aplicativo de troca instantânea de men­sagens, de um funcionário, que preferiu não se iden­tificar. No texto, o funcio­nário explica que está há 12 dias sem receber o vale­-transporte e que o ticket­-alimentação também não foi repassado. “Para os mé­dicos, houve muito barulho e conseguiram receber uma parte [dos salários atrasa­dos], e nós funcionários?”, questionava a denúncia lida pelo vereador.

Na manhã de ontem (6), a reportagem entrou em contato com José Geraldo, que assumiu na última terça-feira (4) a gestão da unidade. Por telefone, ele disse não estar a par do assunto, mas logo em segui­da se reuniu com a equipe do setor administrativo e jurídico e confirmou os atrasos. Segundo o supe­rintendente, a unidade tem gestão compartilhada e os funcionários estariam sem receber o valor devido à de­mora do repasse por parte da Prefeitura de Divinópo­lis. “Se não há repasses, infelizmente há atrasos e a nossa busca é para que o Município faça o repas­se para que a Santa Casa, através de seu CNPJ, faça o pagamento através de nota fiscal a esses funcionários”, explicou o gestor.

O atraso do vale-trans­porte, segundo o superin­tendente, já avança para o 17º dia e atinge cerca de 47 funcionários. O valor total que deveria ser repassado à UPA é de R$ 6.078,72. Já o número de funcionários que estão sem receber o ticket-alimentação há cinco dias chega a 147. O valor total do repasse que está atrasado para quitação do ticket é de R$ 24.295,68.

O Município reconhece os atrasos e afirma que o valore devido à UPA refe­rente ao vale-transporte é de R$6.716,50 e em relação ao ticket-alimentação, a dí­vida é de R$ 24.850,06. Mas apesar de reconhecer que os repasses estão atrasados, a Prefeitura admite não ter recursos financeiros dispo­níveis e a previsão é de que os valores cheguem ao caixa do Município somente no dia 10 desse mês, permitin­do a quitação dos valores.

PARALISAÇÃO

Com o atraso no paga­mento do corpo clínico da unidade, os médicos parali­saram os serviços por duas vezes, atendendo de forma restritiva, como sinal de protesto à falta de atenção para as condições de traba­lho no local. A preocupação era de que o episódio se repetisse, agora com os funcionários afetados com o atraso no vale-transporte e ticket-alimentação, mas o gestor garantiu que não há possibilidades de para­lizações por parte desses funcionários.

“Quando não há diá­logo, isso [a paralização] é possível, mas estamos buscando entendimento o tempo todo com a gestão do Município, com harmo­nia entre os setores, inclu­sive o [setor] jurídico, para que possamos sanar esses problemas”, afirmou.

DIÁLOGO

Apesar de ter assumido a gestão da unidade na última terça-feira (4), José Geraldo já articula com autoridades para que os problemas relacionados a atrasos de repasses sejam solucionados. “Já tivemos algumas reuniões impor­tantes e estamos buscando, junto à gestão do Município e à Secretaria Municipal de Saúde, para organizar com a contabilidade esses repasses”, disse.

Para o novo superin­tendente, os atrasos com­prometem efetivamente a assistência à pacien­tes e é importante que o Município busque novas estratégias para driblar a crise enfrentada pela saúde.

“Precisamos buscar outros mecanismos para ajudar a fazer a assistência acontecer, como alguns modelos dentro da gestão de alguns municípios que estão inovando, até para su­perar essa crise em que Es­tado tem dificultado, com repasses lentos e a maioria em atraso”, finalizou.

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