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Àquele que muito tem…

Ômar Souki

“Àquele que muito tem, muito lhe será dado, e terá em abundância. Mas, àquele que nada tem, o pouco que tem lhe será tirado” (Mateus 13, 12 e 25, 29). Frase enigmática pronunciada por Jesus após o relato de duas parábolas: a do semeador e a dos talentos. Além disso, a frase se repete, em outro contexto, no Evangelho de Marcos (4, 24-25): “Prestem atenção no que vocês ouvem: com a mesma medida com que medirem, também vocês serão medidos; e ainda mais lhes será dado. Para aquele que tem alguma coisa, ainda mais lhe será dado; para aquele que não tem, lhe será tirado até mesmo o que tem”.  Ficamos com a seguinte indagação: Qual seria essa “coisa” que quanto mais temos, mais teremos; mas que se não a tivermos, até o pouco—que por acaso tivéssemos—nos seria tirado?

Na parábola do semeador somente as sementes que caem em terra boa germinam, e “rendem cem, sessenta e trinta frutos por um” (Mateus 13, 8). No caso dos talentos, dos três empregados contemplados, dois foram “bons e fiéis” porque dobraram seus recursos; enquanto aquele que escondeu o seu talento foi “jogado na escuridão, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 25, 30). E Marcos, insere a frase em outra narrativa: “Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha ou debaixo da cama? Não a coloca no candeeiro? Com efeito, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça” (4, 21-23).

Recebemos algo de graça, algo que não depende de nosso merecimento: sejam talentos, sementes (ensinamentos) ou iluminação. Na verdade, não importa tanto o conteúdo da graça que nos foi oferecida. O que, de fato, vai fazer a diferença é a nossa boa vontade de fazê-la florir. Talentos devem ser multiplicados, sementes devem produzir abundantes frutos e a luz deve ser colocada em lugar alto para iluminar nossos semelhantes. Enfim, tudo que é partilhado, multiplica. O nosso corpo, assim como a nossa mente e o nosso espírito foram criados para serem desenvolvidos.

Assisti a um vídeo de Charles Eugster, de 93 anos—um homem que goza de excelente saúde física e mental—no qual ele relata que a maior causa de doenças é a falta de atividade física. Afirma que o sedentarismo afeta principalmente as pessoas aposentadas, com mais de 65 anos. Noventa e dois por cento desse grupo etário sofre com uma ou mais doenças crônicas. Quarenta por cento das pessoas com 60 anos toma cinco ou mais remédios por dia e 45 por cento das pessoas com mais de 85 anos sofre de Alzheimer. Oferece um dado impressionante: “Pelo ano de 2030, 50 por cento da população dos Estados Unidos será obesa”. Acrescenta que a obesidade pode causar diabetes, doenças cardíacas e câncer. Todos esses problemas são atribuídos à falta de atividade física e mental.   

Por outro lado, o melhor remédio é a atividade e o engajamento na sociedade. O trabalho é terapêutico, pois aumenta o valor próprio, a estima da família, o senso de identidade e o sentimento de pertencer à comunidade–enfim fortalece o nosso espírito. Ao nos entregarmos de corpo e alma em prol de nossos semelhantes multiplicaremos nossos talentos, nos oferecendo como uma terra onde as sementes dão abundantes frutos e nos tornando tochas acesas a iluminar o mundo.

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