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Dar é receber

Ômar Souki

“Há mais felicidade em dar do que em receber” (Atos 20, 35). “Feliz quem cuida do fraco e do indigente: o Senhor o salva no dia infeliz” (Salmos 41, 2). “Quem é generoso progride na vida, e quem dá de beber jamais passará sede” (Provérbios 11, 25). “Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama quem dá com alegria” (2 Coríntios 9, 7).

Pesquisa realizada pelo IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) mostra que dentre as razões que levam alguém a doar dinheiro está “a solidariedade com os mais necessitados, apontando uma ligação entre o ato de doar e a gratificação emocional”. De fato, quando doamos algo para alguém e vemos aquele lindo sorriso de agradecimento, nos sentimos altamente gratificados.

Em geral, associamos a doação a algo material, mas existe um outro tipo de doação igualmente—ou até mais—valioso do que o dinheiro. É a doação de nosso tempo. Tempo para escutar alguém, para cuidar de alguém, para transmitir mensagens de otimismo. Eu me lembro de quando eu tinha um programa semanal sobre otimismo na Rádio Piedadense de Piedade dos Gerais, MG. Sentia grande alegria ao passar aquela meia hora transmitindo histórias edificantes para os ouvintes. E, sempre que me identificavam na rua, comentavam como aquelas mensagens tinham transformado seus dias.  

Quando pensamos em doação, raramente refletimos no tipo mais radical de doação que existe, que é o da própria vida. Lendo a vida de Santa Elisabeth da Trindade e de Santa Teresa dos Andes, duas freiras carmelitas do início do século passado, ficou claro para mim que elas devotaram suas vidas ao serviço do próximo, mesmo estando na clausura. Elas se dedicavam a rezar pela conversão de seus semelhantes e pela paz no mundo. E, assim, sentiam enorme felicidade.

Santa Elisabeth da Trindade escreve para sua irmã Guida: “Oh, veja, tudo é delicioso no Carmelo: encontra-se o bom Deus na barrela como na oração. Não existe senão Ele em toda a parte! Vivemo-Lo, respiramo-Lo. Se você soubesse como sou feliz!”.  E, Santa Teresa dos Andes, confessa em uma carta para a sua amiga Elisa Valdés: “Estou vindo do coro, onde passei uma hora em seu Coração. Uma hora perdida na Fonte do Amor. Que vida deliciosa vivo! A carmelita sobe ao Calvário, imola-se ali pelas almas. O amor a crucifica, ela morre a si mesma e ao mundo. Ela vai ao sepulcro a uma vida nova e vive espiritualmente unida ao mundo inteiro”.

Quanto mais nos doamos, mais recebemos como disse Jesus: “Deem, e lhes será dado; colocarão nos seus braços uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante. Porque a mesma medida que vocês usarem para os outros, será usada para vocês” (Lucas 6, 38).

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