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Saber perdoar-se

Ômar Souki

Quando falamos em perdoar, em geral, pensamos no perdão às outras pessoas. Não lembramos que, tão importante quanto perdoar aos outros, é saber perdoar a nós mesmos. Você vive se acusando pelos erros que fez? Quando repassamos os filmes de nosso passado—povoados por escorregões e quedas dolorosas—nós nos debilitamos. O nosso sistema imunológico se enfraquece quando nos deixamos possuir por pensamentos de culpa e remorso. As culpas relembradas com frequência fazem com que projetemos em nossa mente cenários de punição. Pulamos do passado para o futuro e nos esquecemos de viver o presente, o local onde Deus habita. Chegamos a ter medo da morte e do castigo divino.

A maioria dos meus erros se originou da pouca maturidade e da falta de espiritualidade.  Ao nos entregarmos com mais afinco ao Senhor, também aumenta a nossa convicção de que ele é um Deus de misericórdia. Vassula Ryden, uma mística grega, no livro A verdadeira vida em Deus, descreve um sonho sobre a sua própria morte e como foi acolhida: “Jesus ajudava-me, murmurando palavras de conforto e alguns conselhos: a forma de me abandonar e permitir à minha alma que deixasse o corpo, enquanto ele mesmo a acolhia. Parecia-me que me falava como um médico. Nada do que vi no sonho era minimamente impressionante e não senti, por um instante que fosse, a mínima angústia” (p. 118).

Depois do sonho, Vassula conta que se arrependeu e pediu perdão pelos seus pecados. Naquele momento, Jesus lhe apareceu e lhe disse: “Você está perdoada. Eu lhe ensinarei a pureza e como viver em santidade. Não peque mais”.  Ela também viu a Santíssima Virgem que pronunciou as seguintes palavras: “Sim, Vassula, ama a Deus com toda a sua alma, com todo o seu espírito e com todas as forças. Ele lhe ama infinitamente. Sim, filha, não esqueça o modo como ele libertou você do mal. Ele não descansa nunca; vai de porta em porta, com o Coração na mão, esperando que toda a alma o ouça” (pp. 118-119).

O auto perdão é um processo. Começamos por pedir a Deus que nos guie nesse caminho. Não é ignorar nossas faltas, mas reconhecer que erramos, e fazer o firme propósito de aprender com nossas quedas. Não tem como mudar o passado, mas podemos sim, observar as nossas mudanças e o nosso amadurecimento e pedir a Deus que nos abençoe e nos fortaleça na jornada rumo ao auto perdão. Devemos ter paciência conosco mesmos e refletir sobre as nossas fraquezas para que não nos estimulem a fazer coisas das quais possamos nos arrepender. Sempre que surgir algum sentimento de culpa, repetir a seguinte afirmação: “Eu peço perdão a Deus e me perdoo a mim mesmo. No lugar de mágoas e incompreensões eu coloco o arrependimento sincero, a compreensão e o entendimento!”  

As Sagradas Escrituras nos descrevem um Deus rico em misericórdia. Moisés disse: “Senhor, se eu gozo do seu favor, continue em nosso meio, mesmo que este povo seja cabeça dura. Perdoa as nossas faltas e pecados, e recebe-nos como sua herança” (Êxodo 34, 9). Os salmos cantam a eterna misericórdia divina: “Deem graças ao Senhor porque ele é bom, porque seu amor é para sempre!” (Salmos 136, 1). Acatamos o convite de Jesus para perdoarmos aos outros setenta vezes sete (Mateus 18, 22). Mas quantas vezes estamos dispostos a perdoar-nos a nós mesmos?

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