BOLSONARISMO É PROBLEMA MAIOR QUE BOLSONARO

Eu gosto de gente que me faz pensar. Uma frase do jornalista divinopolitano Guilherme Amaral no Twitter me fez pensar muito. Foi algo mais ou menos assim: “O pior não é Jair Bolsonaro, mas o bolsonarismo”.

É a pura verdade. Chegar a essa conclusão é dramático porque a gente descobre que não há alívio além de dezembro de 2022 ou 2026. Passará Jair, ficarão as ideias que ele representa.

Não que ele seja um teórico que convence aos outros com suas pregações. Ele é produto, não causa. Pode parecer estranho, mas Jair Bolsonaro é resultado do que podemos chamar bolsonarismo.  

O atual presidente do Brasil chegou lá, entre outros fatores, porque trouxe aos microfones o desejo de milhões de pessoas que já eram bolsonaristas, ainda que não o soubessem, ainda que esse termo não tivesse sido cunhado.

Vamos falar um pouco sobre os pensamentos que configuram o termo em referência.

Um grupo deles está vinculado à justiça com as próprias mãos. Envolve o armamentismo geral, o linchamento de criminosos, o abandono de medidas de recuperação de condenados, dificultação de habeas corpus, incentivo à violência policial e tantas outras. Alguns desses inclusive foram matéria de proposta de lei.

Outro conjunto envolve questões sociais. Engloba a ideia de meritocracia absoluta, contrariedade com direitos trabalhistas e a Justiça do Trabalho, ataques a programas de socorro social.

Há também o nacionalismo estúpido, uso dos símbolos nacionais, culto ao militarismo e à pessoa do Comandante, apelo à fé religiosa do povo, mistura de religião e Estado.  

Por fim, o desprezo à arte política e às instituições. O bolsonarismo espalhou pra todo mundo que fazer política é ruim. Falso! Atuar politicamente é construir, é ser democrático. O que é ruim são determinados políticos. Essa ideologia prega contra as instituições que garantem nossa liberdade e nosso desenvolvimento como os Três Poderes, a representação democrática, a submissão de todos à Constituição.

Se ainda ficaram dúvidas, basta você lembrar que nem todo bolsonarista é amigo daquele que inspira o nome da ideologia. Vide João Dória, Wilson Witzel, Alexandre Frota, Janaína Pascoal.  

Para combater o bolsonarismo não basta que se derrote Jair nas urnas. É necessário educação, cultura, estudos e combate à preguiça mental.

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