COMO SE COMUNICAM OS NOVOS POLÍTICOS.

Parece não haver dúvidas de que a intensificação do uso das redes sociais forçou mudanças profundas na propaganda eleitoral e na forma de se fazer política. No plano internacional, já em 2008 a campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos foi especialmente digital, com intensa exploração da comunicação online.

Estamos falando de um novo mundo com determinadas características que vêm sendo exploradas apenas por parte dos atores da política brasileira.  Outra parte se mantém torcendo o nariz e garantindo que tais modernidades são de baixa qualidade e devem ser desprezadas.

No primeiro grupo estão pessoas que possivelmente jamais programaram assumir papéis políticos. A essa galera juntaram-se políticos antigos que, testando as novidades, descobriram-nas úteis e passaram a fazer uso delas.

Vamos a alguns exemplos pra clarificar.

Jair Bolsonaro é o maior destaque. Embora não possua sequer uma característica de estadista, foi democraticamente eleito e hoje tem o apoio de quatro em cada dez brasileiros – popularidade impressionante para um Presidente da República que até então não manifestou solidariedade aos quase 150 mil mortos pela COVID-19 no Brasil (fora todo o resto).

É possível que tantos brasileiros se identifiquem gratuitamente com o discurso racista, homofóbico e pró-violência de Bolsonaro. Uma parte, porém, penso eu, é conquistada pelos métodos utilizados pelo presidente e seu grupo, especialmente a comunicação direta via redes sociais.

Outro caso emblemático é o do deputado Cleitinho Azevedo. Querem atirar-lhe pedras? Serão pedras jogadas num lago. Cleitinho encontrou uma forma levar ao povo a -06--sua mensagem.

Vou além: a mensagem de Cleitinho, mesmo que a forma pareça tosca aos cérebros mais elaborados, viaja a ponto de causar tanto movimento popular que incomoda as autoridades responsáveis por graves problemas.

É bonito? Acho que não. É clássico? Negativo. Funciona? Sim.

Enquanto os adversários de Bolsonaro, Cleitinho e tantos outros insistirem em ficar na posição elevada de grandes intelectuais, vão perder mais e mais eleições.

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