CONSERVADORISMO NA DOAÇÃO DE SANGUE.

CONSERVADORISMO NA DOAÇÃO DE SANGUE

Bruno Silva Quirino

 

Sou doador de sangue há um punhado de anos. É muito fácil, especialmente hoje que você pode agendar um horário. Não se gasta mais do que 60 minutos pra ajudar a salvar vidas.

Considero que os funcionários do Hemominas fazem um trabalho excepcional. Sempre profissionais e atenciosos, garantem um clima agradável e descontraído.

Recomendo que todos doem sangue. Se não por altruísmo, por egoísmo. Quem não pensa nos outros pode, ao menos, imaginar que um dia ele próprio ou alguém próximo pode precisar receber uma bolsa do líquido mágico.

Minha crítica está no – opinião minha – exagerado nível de exigência para os doadores. Exemplifico. Você não pode doar sangue se:

  • Tiver sido preso alguma vez na vida;
  • Tiver se relacionado com pessoas do mesmo sexo;
  • Não possuir parceiro sexual fixo;
  • Tiver visitado a fazenda do seu tio João nos últimos 12 meses

É óbvia a importância de se coletar sangue sadio. Não quero defender descuido algum. Acho, porém, que o cuidado está em nível alto demais.

Ora, faz tempo que a ciência já entendeu que homossexuais não representam risco maior de doenças venéreas do que os demais. Porém, se você responder “sim” para a pergunta “teve relações com alguém do mesmo sexo?”, sua doação será rejeitada.

Por que o sangue do homossexual ou do ex-presidiário não serve? O sangue coletado será examinado antes de ser utilizado, portanto, qual o risco?

Ademais, estou longe de estar convencido de que o doutor magistrado casado há 30 anos traga menos risco do que alguém que transe com gente do mesmo sexo.

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