É HORA DE TIRAR MAIS GENTE DO ARMÁRIO

A inconveniência de determinados assuntos, regularmente, os obriga a se manter trancafiados em armários. Um deles, que felizmente tem vencido barreiras ao longo dos últimos anos, é a homossexualidade. À medida que vem mudando seu status de tabu para normalidade da vida real, a homossexualidade vem conquistando direitos mesmo em países conservadores como o nosso.

A Parada do Orgulho LGBT, em São Paulo, já é um dos maiores eventos turísticos da grande metrópole brasileira, atraindo milhões de pessoas, inclusive heterossexuais.

A legislação foi adaptada para a realidade fora do armário: pessoas do mesmo sexo podem se casar e o conceito de família foi ampliado.

Outro tema precisa pedir passagem, quebrar os cadeados, sair da sombra. Refiro-me à depressão, aquela doença que muita gente confunde com tristeza e, por isso, tem dificuldades em compreender.

O doente de depressão, no mais das vezes, fica constrangido em se revelar. Afinal, os colegas de trabalho vão achar que você não aguentou enfrentar a dureza dos desafios. Seus amigos o considerarão fracassado. Sua família ficará com pena e os conhecidos perguntarão: que razão ele/ela tem pra estar deprimido? Ah, ele/ela tem tudo, como pode estar deprimido?

A resistência em admitir leva à demora em procurar ajuda profissional e, portanto, agrava a doença. Daí a importância de se quebrar a barreira social e permitir que a depressão deixe as trevas do embaraço.

Falo aqui na condição de uma pessoa que está em tratamento contra a depressão. Há um ano aceitei o risco de sair de licença médica por quinze dias por essa razão, morrendo de medo de que as pessoas no meu entorno profissional torcessem o nariz e pensassem ou dissessem: “frescura”.

Porém, pra minha surpresa, muitos se preocuparam de verdade comigo e eu fiquei à vontade pra me cuidar. Ainda tenho resistência em falar sobre isso, mas resolvi trazer para esta coluna porque talvez alguém esteja na situação em que eu estava doze meses atrás e, lendo isso, resolva romper as amarras da relutância em assumir o problema e buscar resolvê-lo.

Não sei se depressão tem causas fáticas ou se é aleatória. Só sei que, se você não fizer nada, é impossível resolver. Hoje penso que, no meu caso, havia causas que, ao longo desse tratamento, pude identificar e confrontar para, enfim, me reencontrar.  

Depressão não é tristeza, não é pieguice nem sentimentalismo, é uma doença perigosa. A gente pode reduzir o drama derrubando o tabu de falar sobre ela.

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