ENGARCO SOCIAL NÃO DESESTIMULA O EMPREGO.

A gente precisa falar sobre direitos dos entregadores que trabalham para aplicativos, aquela galera que pedala ou pilota pra trazer o sanduíche nosso de cada dia sem nenhum vínculo empregatício, nenhuma proteção contra acidentes, doenças ou abusos, mesmo todo mundo sabendo que seus patrões são gente fina, elegante e rica.

Não são os direitos trabalhistas que desestimulam a geração de empregos. Há uma confusão comum nessa discussão e eu vou tentar esclarecer alguns pontos.

Pra começo de conversa, posso garantir pra vocês que meus argumentos são acolhidos pelas boas cabeças do pensamento de direita e de esquerda – excluídos, obviamente, os tarados mentais radicais que vão do PCO ao bolsonarismo, por exemplo.

 

Encargos sociais dobram o custo do empregado.

É verdade. Por outro lado, será que, selecionando bons empregados, esse custo não é absorvido pela produção? Além do mais, toda empresa tem uma obrigação social que, a meu ver, inclui o dever de considerar que seus empregados são seres humanos.

O problema é quando há disputa entre uma empresa que cumpre a legislação e outra que não; quando a concorrência se estabelece entre o bom pagador de impostos e o sonegador. Nessa guerra, o bom morre. Mas a culpa não é dos direitos, é dos desvios.

Os “malditos” encargos sociais não incomodam quando a economia vai bem. Obrigação de pagar INSS, recolher FGTS, conceder férias e décimo terceiro salário acabam sendo consideradas piso quando a economia está em boa saúde. Lembram de 2010, quando o PIB brasileiro cresceu mais de 7%? Todo empresário estava feliz em pagar encargos sociais e, inclusive, voluntariamente acrescentavam benefícios como planos de saúde e previdência privada para conquistar bons empregados.

Quando a economia está bem, o empregador descobre que é legal ter seu funcionário descansado com 30 dias de férias anuais, entusiasmado com a possibilidade de subir na carreira, seguro com uma poupança que o protegerá em caso de desemprego, tranquilo com a família resguardada por um plano de saúde.

Quando a economia vai mal, a necessidade (às vezes oportunismo) em economizar centavos transforma a rede de proteção social num demônio. E o mesmo empresário que exige subsídios, isenção de impostos e crédito garantido pelo Poder Público ataca a salvaguarda do trabalhador pelo mesmo Estado.

Se eu pudesse dar um recado, diria para o trabalhador que seu direito não é inimigo da empregabilidade, especialmente num país desigual como o Brasil. Portanto, não se envergonhe nem abra mão de exigi-los.

Para o empregador eu diria ao pé do ouvido: você sabe disso, lembre de 2010, lembre de 2004, você sabe disso, sabe que estou certo. Troque seu preconceito pela inteligência em buscar um caminho que vai lhe garantir mais dinheiro no bolso.
Direitos trabalhistas não são favores e fazem bem para a economia, uma vez que trazem estabilidade e qualidade à mão-de-obra contratada.

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