JOÃO DÓRIA É UMA PESSOA RUIM.

João Dória Jr. é uma pessoa ruim e eu posso demonstrar.

No domingo 1º de dezembro, nove jovens foram mortos numa ainda muito mal explicada operação policial na comunidade de Paraisópolis, São Paulo.

Tente pensar neles não como sombras anônimas. Todos têm nome, sobrenome e história. São eles:

  • Gustavo Cruz Xavier, 14 anos
  • Dennys Guilherme dos Santos Franco, 16 anos
  • Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16 anos
  • Denys Henrique Quirino da Silva, 16 anos
  • Luara Victoria Oliveira, 18 anos
  • Gabriel Rogério de Moraes, 20 anos
  • Eduardo da Silva, 21 anos
  • Bruno Gabriel dos Santos, 22 anos
  • Mateus dos Santos Costa, 23 anos

Os corpos dessas crianças pobres ainda não haviam sequer esfriado quando, chamado a comentar a desgraça, o Governador de São Paulo tirou qualquer responsabilidade do Estado e de seus agentes.

João Dória é uma pessoa má porque, confrontado com o horror da morte de inocentes jovens, não se comoveu. As mães, os pais e os irmãos da garotada ainda mal podiam acreditar no que acontecera, mas João Dória não dava a mínima. Em entrevista no dia seguinte, dizia:

A letalidade não foi provocada pela Polícia Militar, e sim por bandidos que invadiram a área onde estava acontecendo um baile funk.

(...)

A política de segurança pública do estado de São Paulo não vai mudar.

 

Posso dizer que João Dória é uma pessoa detestável porque, enquanto os frágeis cadáveres sequer haviam sido enterrados, ele foi incapaz de proferir uma palavra de conforto para as famílias.

Pelo contrário, o tom de suas falas soou ameaçador: “não vai mudar”. 

Eu não sei exatamente o que aconteceu naquela noite de domingo. João Dória também não sabia. Naquele primeiro momento, porém, uma pessoa boa sentiria o coração apertado, se solidarizaria com a dor alheia e procuraria palavras que pudessem pelo menos reduzir o cruel sofrimento de quem perdeu, por exemplo, seu filho Gustavo, de quatorze anos.

João Dória é uma pessoa ruim porque ignora sentimentos como empatia. Não sofre junto às famílias dos meninos nem como Governador daquela gente ou simplesmente como ser humano.

João Dória revelou-se uma pessoa ainda muito pior na quinta-feira seguinte ao massacre. Tomou os microfones para, finalmente, apresentar condolências. Admitiu rever os protocolos de ação da Polícia Militar, citou “violência” e “uso desproporcional da força”. Tudo isso depois da imensa repercussão negativa de suas falas infames.

Ele é uma pessoa ruim porque só age por cálculo. Demonstrou alguma face humana somente como reação à opinião pública que, ao longo da semana, sentiu a tristeza da história dos meninos pobres de Paraisópolis. Mudou de discurso para melhorar sua imagem. João Dória é  um horror de ser humano.

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