PORQUE NÃO CONFIO EM SÉRGIO MORO

O pronunciamento demissionário de Sérgio Moro foi carregado de importância, como já comentei aqui na postagem anterior. É necessário que as autoridades mergulhem profundamente nas denúncias que ele apresentou envolvendo o presidente da República.

A gente pode fantasiar a respeito das intenções do ex-ministro ao decidir sair atirando pedras tão pesadas. Honestidade, vingança pessoal, planejamento político, defesa da própria biografia estão entre as possibilidades.

À parte o dramático conteúdo veiculado (repito, já tratado em outra postagem), tratarei aqui dos porquê de eu não confiar em Sérgio Moro e considerar estúpida a idolatria a ele, possivelmente incentivada pelas inacreditáveis atitudes de Jair Bolsonaro.

Apresento uma série de razões:

  • Aparentemente deslumbrou-se com o destaque pessoal na importante Operação LavaJato. Encantou-se tanto com a repercussão do fundamental trabalho contra a corrupção que extrapolou os princípios jurídicos;
  • Condenou sem provas (antes de atirarem pedras, leiam a sentença em que Lula foi condenado pelo caso do triplex do Guarujá);
  • Indicou testemunhas para o Ministério Público em processos que iria julgar;
  • Orientou ações do Ministério Público em processos que iria julgar;
  • Integrou o governo de um presidente que, ao longo de toda a vida, defendeu coisas como a ditadura militar, tortura, violência policial, justiça com as próprias mãos, assassinato do presidente da República e de adversários políticos, ideias homofóbicas e machistas etc. ;
  • Embora encampando a bandeira do combate à corrupção, disse que “perdoava” Onix Lorenzoni pela primeira acusação de caixa 2 e silenciou-se sobre a segunda;
  • Apresentou proposta de lei que defendia, na prática, restrições à garantia do habeas corpus e o libera geral para policial matar suspeitos em caso de “surpresa ou medo” (as nossas polícias estaduais estão entre as que mais matam no mundo, não precisam demais incentivo);
  • Omitiu-se também com relação ao enorme esquema de fake News durante as eleições, após a posse e até hoje;
  • Fala mal o português (desculpe, mas acho isso inaceitável para um juiz federal);

Enfim, não confio em Moro por razões factuais. Pra mim ele se enamorou da autoimagem como herói, atropelou a legislação pra fazer a justiça que considerava correta, integrou por vontade própria um governo com caráter antidemocrático e, ao ser praticamente obrigado a sair daquele barco, fingiu que não tinha nada a ver com as desgraças por eles cometidas.

Moro é Bolsonaro, Bolsonaro é Moro.  

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