PRETOS DE TÃO POBRES, POBRES DE TÃO PRETOS.

Ainda sobre a morte de Gustavo, Dennys Guilherme, Marcos Paulo, Denys Henrique, Luara, Gabriel, Eduardo, Bruno e Mateus (veja postagem anterior), trago versos de Caetano Veloso (música Haiti) que podem ajudar a explicar o caso.

 

Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos

Dando porrada na nuca de malandros pretos

De ladrões mulatos e outros quase brancos

Tratados como pretos

Só pra mostrar aos outros quase pretos

(E são quase todos pretos)

E aos quase brancos pobres como pretos

Como é que pretos, pobres e mulatos

E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados

 

Há uma certa linha de canalhas – uns da política, outros da imprensa e um tanto mais do boteco da esquina – que apresenta argumentos a justificar o exagero proporcional do massacre de pretos e pobres. Mentirosos safados, eu afirmo. Sem achismo, sem chute, com fontes oficiais, sem preconceito, vamos aos números:

  • 75% das vítimas de homicídio no Brasil são negras (Estadão);
  • Entre 2007 e 2017, aumento em 33,1% o número de homicídios de pessoas pretas e pardas (Uol);
  • 64% da população carcerária é negra. No Acre chega a 95% (Agência Brasil);
  • Negros são maioria dos condenados por tráfico. São também a maior parte daqueles condenados por pequenas quantidades de drogas (Exame)

A conexão entre cor da pele, massacres, desprezo judicial é feita pelo cimento da pobreza:

  • Mais de 7 em cada 10 dos brasileiros mais pobres são negros (UOL), enquanto brancos são 7 em cada 10 dos mais ricos.

Negros são mortos porque são pobres. E são pobres porque não fomos capazes de encerrar de vez a escravidão. Passou da hora da reação, estourou o limite da permissão de se ficar em silêncio.

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