SE EU PUDESSE DIZER ALGO A CLEITINHO AZEVEDO

Trocar a velha política de ACM, Roberto Jefferson, João Paulo Cunha, Delúbio Soares, Romero Jucá, Eduardo Cunha, Waldemar da Costa Neto, Paulinho da Força por Bolsonaro, Witzel e Cleitinho Azevedo é bom negócio?

Cleitinho me parece uma pessoa bem intencionada, embora obviamente precise amadurecer, estudar. E não estou me referindo a educação formal, mas sim a estudar política, antropologia, sistemas políticos e de governo, a legislação brasileira – a partir da Constituição Federal e história.  

Gritar que tem que resolver isso daí não resolve isso daí.

Indignação, olhos arregalados, veias estufadas podem ganhar likes e visualizações que acabam se transformando em votos, mas, só isso não adianta.

O que muda as coisas são programas políticos que desenvolvem políticas públicas; negociações que agregam; denúncias de situações apuradas e, primeiramente, levadas às autoridades que comandam as instituições responsáveis por investigar, julgar e punir. Não havendo resposta, aí sim vá a público.

Não é nem legal trazer exemplos pessoais, mas vou faze-lo. Pouco antes das eleições municipais de 2000 fiz uma denúncia ao Ministério Público sobre a compra de votos praticada por um candidato a prefeito da cidade onde eu morava. Eu tinha provas. Diante da inação do agente daquela instituição, fui à imprensa e as entreguei para que fossem divulgadas ao povo.

Por que Cleitinho não faz isso?  Seus métodos são jogar merda no ventilador e depois assistir a confusão.

Não vou nem dizer que isso aconteça porque ele priorize a imagem de guerreiro combatente do mal em detrimento do desejo de atingir o objetivo que a população pretende. Talvez ele seja apenas excessivamente ansioso para atender o povo e desconheça os caminhos que, de fato, conduzirão ao resultado pretendido.

Pendendo para a segunda opção, sou obrigado a dizer que Cleitinho Azevedo não tem o direito, hoje, a tamanha ingenuidade. Ele representa a vontade de todos os mineiros. Instituído de tanta responsabilidade, ele não pode mais ser apenas aquele rapaz simpático que fala o que pensa e joga pedra. Hoje ele se encontra na posição de vidraça. 

Ressalto: ele não representa apenas os mais de 100 mil que o elegeram (baita votação, aliás!). Deputado estadual eleito fala em nome de todos os cidadãos mineiros, entre eles os que votaram nele, os que votaram em outros e, inclusive, os que não votam (crianças, idosos...).

É justo que se divulguem as próprias realizações, especialmente quando se é obrigado a prestar contas ao povo. Ao contrário, viver de atacar e acusar sem profundidade só serve ao interesse pessoal, eleitoral.

Desejo que Cleitinho e outros novos políticos bem intencionados se apeguem aos estudos, mergulhem na História e conheçam o papel que se espera deles e não apenas aquele que as redes sociais aplaudem.  

A velha política pode ser cheia de defeitos, mas aquela que chamam de nova ainda não aprendeu a se encaixar em um sistema democrático.

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