SEM MOTIVOS PARA “BOM DIA”.

“Nada de bom dia por aqui!”

Assim o perfil Voz das Comunidades anunciou via Twitter, às 06h18 de sábado último, a morte da menina Agatha Felix, de 8 anos de idade.

Nas palavras do avô, era uma menina de futuro, que falava inglês, obediente, estudiosa.

Ela foi a 16ª criança baleada no Rio de Janeiro em 2019.

Testemunhas dizem que policiais militares atiraram contra um motociclista, atingindo a Kombi em que a menina estava junto com a mãe. Para estabelecer o símbolo da covardia, o tiro entrou pelas costas da criança.

A Polícia Militar informou, por meio de nota, que houve troca de tiros com criminosos. Não lamentou a desgraça nem pediu desculpas.

No dia anterior foi divulgado vídeo gravado por um policial militar no mesmo Rio de Janeiro durante a abordagem de um mototaxista cujo passageiro carregava um pedestal de microfone. “Depois nego diz que morre à toa!”, protestou o agente do Estado, absurdado com a ousadia do cidadão em transportar um objeto que poderia ser confundido, por ele, com um fuzil, obrigando-o a “atirar na cabecinha”, conforme orientação do Governador.

O Governador não se manifestou sobre a morte de Agatha. Decerto ele entende que tais ocorrências são sub-produto de sua política de segurança pública. Ossos do ofício...

Wilson Witzel promove uma guerra estúpida e perdida, em que o pobre é o escudo. Sua promessa literal de “atirar na cabecinha” em quem carrega fuzil incentiva o soldado a, por exemplo, achar-se no dever de fuzilar um cidadão que, supostamente, estivesse portando tal arma, embora não passasse de um objeto inocente. Sua agressividade torna aceitável a invasão de comunidades atirando a esmo, mesmo que isso signifique a morte de uma garotinha pobre, negra, que viveu apenas oito anos neste mundo horrível. 

E se fosse dentro de uma SUV no bairro chique de Higienópolis, como sugeriu o escritor Lira Neto?

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