SEU DEPUTADO MANDOU DINHEIRO PRA DIVINÓPOLIS?

Penso que teríamos governantes e representantes muito melhores se fôssemos capazes de exigir deles aquilo que realmente lhes compete. Adicionalmente, faria muito bem à sociedade que os brasileiros cultivassem o sentimento de que o coletivo é mais importante do que o individual, que o macro na política é o que vai garantir o micro.

Explico.

Os benefícios que geralmente requeremos em troca do pagamento de impostos envolvem, por exemplo, ter acesso à atendimento de saúde quando ficamos doentes, educação para nós e os filhos, segurança, saneamento, pavimentação que nos permita trafegar pela cidade, transporte público...

O ponto fundamental está aqui: como deve a população exigir do Poder Público o necessário amparo? Escolhendo um bom programa de governo e exigindo sua implementação para que, a partir da geração e distribuição de riqueza, a vida da população em geral melhore ou solicitando, diretamente, as melhorias das quais precisamos?

A segunda forma é a mais comum. Em Divinópolis, por exemplo, é recorrente a excitação da imprensa exaltando a população a cobrar dos deputados que destinem recursos para obras na cidade. Chegam ao ponto de divulgar os nomes e quantidade de votos que cada um recebeu aqui, como se houvesse obrigação de um parlamentar indicar emendas para locais onde possui eleitores.

Isso não seria, afinal, uma espécie de pagamento em dinheiro por votos recebidos?

A imprensa que prega esse tipo de atitude decerto não o faz por má intenção. É por puro desconhecimento do funcionamento de um Estado Democrático mesmo, ignorância da lógica da representação política.

Melhor seria que os titulares dos microfones primeiro estudassem, enxergassem o macro para, a seguir, orientar o povo.

O que deveríamos esperar do Deputado Federal é que representasse a população e defendesse programas políticos conforme os quais conquistou seus votos. Reduzir a atuação parlamentar a indicação de verbas para asfaltamento de ruas é mendigar. Pior, isso auxilia a manutenção de uma elite política descompromissada com resultados de longo prazo. Isso sustenta os currais eleitorais, as eternas famílias políticas no poder e, ao fim das contas, impede que ruas sejam asfaltadas, postos de saúde construídos e mantidos, empregos sejam criados...

Cabe ao Parlamento criar e aprovar políticas públicas conforme a ideologia que cada partido defende e que foi validada nas urnas pelo povo.

Já ao eleitor é devido exigir que tais políticas sejam propostas, defendidas e implementadas. Defender favores quase pessoais, e insistir na ideia de que o deputado deve enviar recursos para suas bases é pobreza intelectual no que se refere ao entendimento do Estado Democrático.

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