TODO DIA UM “PUTAQUEPARIU” DIFERENTE.

Vocês me perdoem falar tanto desse tipo de assunto, mas é impossível ficar inerte diante do que está acontecendo. Todo dia é um (perdoem-me) “putaquepariu” novo, um “agora ele passou dos limites”.

Não há limites.

No dia 20 de abril, quando o Brasil atingiu 2.500 mortos pela COVID-19, questionado sobre esses números, Jair Bolsonaro respondeu:

- Ô cara, quem fala de... Eu não sou coveiro, tá certo?

Oito dias depois chegamos a 5.017 mortos, mais do que a China, que tem uma população seis vezes maior que a brasileira. Indagado por uma repórter, o presidente do Brasil assim se manifestou:

- E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre.

Excelência, diante de seu questionamento, eu poderia listar algumas coisas que eu gostaria que o senhor fizesse enquanto vivemos o período de pandemia, de modo a dar exemplo e, assim, evitar a morte de cidadãos brasileiros:

  • Não vá à padaria fazer lanche no balcão
  • Não compareça a manifestações
  • Use máscara em ambientes externos
  • Lave as mãos em público com água e sabão ou álcool gel
  • Não abrace as pessoas, especialmente quando está sendo filmado
  • Não limpe o nariz com a mão e em seguida cumprimente uma velhinha admiradora na rua
  • Não chame a maior pandemia dos últimos 100 anos de “gripezinha”
  • Não espalhe boatos
  • Apresente seus exames
  • Não demita ministro que está cumprindo as regras prescritas pela comunidade científica
  • Afirme, em rede nacional, que a ciência está correta
  • Peça à população que fique em casa neste momento
  • Defenda o isolamento social durante a emergência
  • Assuma a liderança ao invés de reiterar que você é quem manda
  • Leia
  • Estude
  • Seja solidário
  • Não ria dos mortos por meio de declarações cretinas
  • Acredite e defenda a ciência
  • Em último caso, acredite em Donald Trump
  • Não seja babaca

Falando na sua língua:

Pô, cara, no tocante a isso daí, estude o que está acontecendo no mundo nessa cuestão da pandemia. Você é quem manda, você é o cara, o mito, o único capaz de evitar que morram mais pessoas ainda. Assuma suas responsabilidades, taokey?

O Presidente da República é uma pessoa, mas também incorpora uma instituição. Ele é exemplo e suas falas são poderosas. Os atos de Jair Bolsonaro refletem nas decisões da população.

Quando diz que não é coveiro e ao exclamar o terrível “E daí?” diante da informação de que milhares de pessoas morreram em seu país, Jair Bolsonaro se mostra não apenas um presidente de má qualidade, ele atinge também o nível de pessoa de baixíssima categoria.

A falta de empatia do Seu João da padaria com as pessoas mortas pela COVID-19 é uma falha de caráter. Quando se trata do presidente da República, é a falência da sociedade.

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