TOPA TUDO POR DINHEIRO.

 Acabei de ler “Topa tudo por dinheiro”, do Maurício Stycer (foto que ilustra a postagem). Salvo engano, trata-se da sétima biografia de Silvio Santos. As anteriores foram totalmente chapa-branca, com objetivo de agradar ao biografado.

Stycer apresenta um livro de agradável leitura, não se restringindo ao homem do Baú. O autor conta muito sobre a história da televisão brasileira, passando por Paulo Machado de Carvalho, Roberto Marinho, Manoel da Nóbrega, Hebe Camargo, Faustão, Edir Macedo, Boni...

A grande tacada da referida biografia é a independência. Stycer navega da crítica à idolatria e igualmente no caminho inverso. O texto não traz adjetivações nem preconceitos ou achismo. Ao invés de cair no clichê de superestimar a história de Silvio ou de meramente o esculhambar como é o mais comum em ambas as situações, cada capítulo do livro se sustenta em fontes, dados e fatos.

Maurício Stycer conta a história baseado em depoimentos e matérias jornalísticas, todas referenciadas.

Pesquei alguns trechos que demonstram um determinado e interessante lado do dono do SBT. Refiro-me ao seu relacionamento com a política. Pensando em seus próprios interesses, Silvio puxou o saco dos poderosos brasileiros desde a ditadura até os tempos atuais. Transcrevo alguns trechos:

 

Sarney: “governo Sarney, que tomou posse em 15 de março [1985]. No dia 10 de maio, Silvio Santos visitou o novo presidente (...). À saída, de uma entrevista histórica (...): “Eu já dei ordem aos jornalistas da minha empresa para nunca criticar, só elogiar o governo. Se for pra criticar, é melhor não falar nada, é melhor ficar omisso”.

 

 

Josias de Souza: A bajulação de presidentes da República (...) foi, durante muito tempo, a principal arma no mercado das telecomunicações. Todos jogaram esse jogo. O que distinguia Silvio Santos dos demais é que ele nunca se preocupou em disfarçar o puxa-saquismo.

 

Entrevista à revista Veja sobre o ditador Figueiredo: “Uma vez ele me convidou para jantar em Brasília e eu retribuí o convite convidando-o para ir à minha casa. Era um sujeito firme. Quando não gostava de alguém, dizia nas caras. (...). Figueiredo, sim, era machão.

© 2009-2019. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.