VACINAÇÃO DEVE SER OBRIGATÓRIA?

O Programa Nacional de Imunização brasileiro sempre foi levado muito a sério, sendo posicionado como um projeto de Estado, seja qual fosse o governo de momento. Diversas doenças sérias foram erradicadas, como varíola, sarampo e poliomielite (paralisia infantil), por exemplo.

Uma marca de sucesso eram as campanhas de vacinação, especialmente aquela protagonizada pelo carismático Zé Gotinha.

Todo o movimento que, ao longo de décadas, o Estado Brasileiro fez para incentivar as pessoas a levarem suas crianças à vacinação resultou no fim de uma doença medonha como a paralisia infantil, cuja última ocorrência se deu em 1989.

Onde estão as campanhas de vacinação deste ano? A da paralisia infantil termina amanhã, 30 de outubro, mas não há Zé Gotinha na TV, não há entrevistas do Ministro da Saúde, não há imagens do Presidente da República visitando postos de saúde para acompanhar a criançada tomando a gotinha, também falta uma chamada em rede nacional de TV para convocar as famílias e movimentar a garotada.

Assim, por que cargas d´água neste ano da graça de 2020, o governo brasileiro optou por fazer uma campanha tão discreta? Mesmo com o passar dos dias e o baixíssimo índice de vacinação, suas Excelências o Ministro da Saúde e o Presidente da República não se mexeram.

Isso me leva ao ponto discutido nos últimos dias pelos chefes dos nossos Três Poderes: obrigatoriedade de vacinação.

Ora, nosso Programa de Imunização vestiu-se de sucesso fazendo uso da estratégia do convencimento via publicidade. Programação oficial das autoridades, participação de artistas, flashes em programas populares, presença, insistência.

Assim, embora a vacinação possa ser forçada por lei, uma vez que nenhum direito individual pode superar o interesse coletivo, a razão da vitória sobre doenças atrozes foi o simples movimento político a envolver a sociedade.

O presidente do Brasil em 2020 abriu mão disso. Com seu jogo dúbio ao pregar a liberdade do cidadão em querer ou não se vacinar pode causar a impressão de que não se trata de algo assim tão importante.

Pudesse eu enfiar algo na cabeça de Jair Bolsonaro hoje seria: Presidente, esqueça esse papo de obrigatoriedade ou discricionariedade. Diga que se vacinar é bom, que deu certo, que o Brasil exterminou males bárbaros através desse ato tão simples. Grave um vídeo com o Zé Gotinha e divulgue nas suas redes sociais.

Não se faz política brincando com saúde.

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