A nova Xuxa.

“Triste, louca ou má...” São os rótulos que recebem as mulheres de acordo com a sua ‘conduta’, suas escolhas ou a falta delas. Quem nunca se encaixou num deles, em algum momento, ou nos três, ou em mais alguns?

A nova rainha do Brasil carregou, como uma bandeira, a canção que leva essas três palavras no título e que concorreu ao Grammy Latino, em 2017. Juliette Freire é o nome da moça simples, alegre e brejeira, que arrebatou o coração dos brasileiros, nos quase quatro meses de confinamento da casa mais vigiada do país.

Nunca se viu tamanha adesão a uma personalidade, nesses 21 anos de programa. Talvez nem nas edições de outros países exista um fenômeno assim. Os artistas mais reconhecidos, as pessoas mais humildes, do Oiapoque ao Chuí, se renderam a Juliette. A própria Xuxa admitiu o carisma da moça e torceu por ela e por seu amigo, Gilberto.

Ju foi humilhada, enganada, traída, mal falada, explorada (nos seus dons de maquiadora) e ainda desprezada pelos homens da casa. Filha de uma mãe humilde, dona Fátima, que deu à luz a dois anjos. Um já subiu pro céu: a irmã caçula que Juliette perdeu, há alguns anos. Tamanha simplicidade só poderia gerar tamanha grandeza.

Até Tiago Leifert usou a música do grupo “Francisco, El Hombre”, para anunciar a vitória de Juliette. Nesse momento, ela se agachou e gritou: “Mãe, eu sou você! Eu sou você!”. No dia seguinte, em entrevista a Ana Maria Braga, ela explicou: “Eu já senti vergonha de minha mãe, quando ela não sabia ler. No programa, me senti como ela: injustiçada, excluída. Tive vergonha de mim. Quando ganhei, foi uma redenção para nós duas”.

Ah, o cacto é pra lembrar seus fãs, que o utilizam como símbolo da resistência dessa paraibana arretada. Espinhenta e colorida (quando floresce), por fora, e doce como o bálsamo que escorre dele, matando a sede de amor desse mundo de meu Deus.

Guiomar é jornalista e locutora do Vozes de Minas: http://www.vozesdeminas.com.br/voz/guiomarcastro

 

 

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