A Terra é azul.

 

Há exatos 50 anos, o homem pisou na Lua pela primeira vez. O que seria “um gigantesco salto para a humanidade”, na verdade, não passou de um evento grandioso sim, mas sem consequências fabulosas pra a nossa existência. A ciência não caminha a passos tão largos...

Claro, existe a estação espacial, pesquisas em Marte e na própria Lua, projetos de minicidade dentro de bolhas (imitando as condições de vida na Terra), etc, etc, etc...  Mas de concreto mesmo para nós, simples mortais, não existe nada. Apenas a pegada de Neil Armstrong no solo lunar, vista pela TV, e a bandeira dos EUA fincada ao lado de uma mensagem de paz.

É algo antes inimaginável? Sim. Mas mais inimaginável ainda é saber que a Terra, essa que nos abriga há pelo menos 300 mil anos, deixou de ser o foco das “grandes nações”, que já se preparam para deixar o planeta quando este se cansar de ser apenas explorado e se rebelar de vez.

Alguns meses antes, na Apollo 8 (primeira missão que orbitou em volta da Lua), o astronauta William Anders já tomava consciência de que o homem buscava novidades no espaço e se esquecia de cuidar da própria casa, ao dizer: “Viemos de tão longe para explorar a Lua e a coisa mais importante é que nós descobrimos a Terra”. Foi ele quem tirou a primeira foto do nosso planeta visto do espaço (antes apenas máquinas o tinham fotografado).

As tais fotografias, em que apareces inteira, porém lá não estavas nua e sim coberta de nuvens...” Os versos de Caetano, escritos sobre o feito, que ocorreu quando ele se “encontrava preso, na cela de uma cadeia” demonstram o impacto que as fotos tiveram não só sobre os astronautas, mas sobre todos nós. Saber que flutuamos vulneráveis no espaço, ao bel prazer da boa vontade de Deus e da má vontade dos homens.

Os primeiros astronautas russos a viajar no espaço já tinham se manifestado sobre a pequenez do homem diante da imensidão do universo e sobre a necessidade de deixar de lutar entre si (como na Guerra Fria que, contraditoriamente, impulsionou a corrida espacial) para lutar pelo planeta. Aliás, é de um russo a célebre frase: “A Terra é azul”. Iuri Gagarin foi o herói da missão que colocou um homem (e não apenas uma máquina) na órbita terrestre, pela primeira vez.

A Terra é azul... Mas até quando? Até quando morrerão pessoas soterradas, engolidas por lama, desabamentos e tsunamis? Até quando será mais importante manter em movimento indústrias de automóvel, mineradoras e siderúrgicas do que manter vivo o único motivo de estarmos aqui?

Aliás, por que será que foi deixada uma mensagem de paz na Lua, para os possíveis extraterrestres que a encontrassem, se aqui não se vislumbra essa paz entre os povos, governos e religiões? Seria interessante praticar aqui o que buscamos lá. Cuidar daqui antes de povoar lá.

Afinal, “Planet Earth is blue and there's nothing I can do”, disse David Bowie em Space Oddity. “O planeta Terra é azul e não há nada que eu possa fazer”. E Oddity não é odisseia como pensei, mas Esquisitice. O homem é mesmo muito esquisito...

 

Guiomar é jornalista e locutora do Vozes de Minas: www.vozesdeminas.com.br/guiomarcastro

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