Ano novo, nome novo.

Ganhei nome! Nasci de novo... Aos 55. Nunca é tarde, não é mesmo? Deixei de ser a filha da filha da filha, pra ser filha. Deixei de ser bode expiatório pra espiar. Espiar pelo ferrolho da fechadura da vida. Aquele lugar onde todo mundo quer estar pra ver o que o outro oculta, camufla. E insufla, e se infla.

Nunca é tarde para passar o aniversário sozinha e feliz! Feliz com a própria companhia, feliz em limpar a casa, em comer o que tiver, em não fazer nada e não ter que prestar conta de nada.

O mais legal de ganhar nome a essa altura é que se confirma o que você tanto busca: identidade. Dissolvida, conduzida, vigiada, ela quase se perde. Dificilmente alguém morre com sua essência intacta ou plenamente desabrochada. Nos perdemos a cada dia, tentando agradar, entregando a nossa “chama” ao outro.

Como bem disse o Padre Fábio, no último domingo: “Até na doação há um limite. Há buscas que vão lhe colocar num estado de muita solidão. Você não tem como incluir o outro. Não ponha sobre mim a responsabilidade de levar a reserva que lhe cabe levar. Cada um de nós precisa viver o seu preparo, porque nessa ‘eternidade’ você não vai chegar acompanhado. É um funil que vai se estreitando, se estreitando e, ao final, só passará você.”

“Às vezes as pessoas nos impõem uma caridade assim: exigindo o injusto. Quantas vezes não queremos oferecer ao outro o que não é nosso direito oferecer. Não perca a sua salvação, tentando salvar alguém. A solidariedade não pode ferir a prudência de dar o que você não pode dar.”

“O sofrimento é seu, não tenho como assumi-lo. Ou vou começar a lhe dar o que não tenho mais. Vou começar a retirar das minhas reservas e prejudicar aquilo que não posso, em hipótese alguma, deixar de cuidar: a minha dignidade. Quando a gente dá o nosso óleo e se priva de chegar, fazemos uma matemática simplória... No senso comum, isso é entendido como egoísmo. Na perspectiva de Jesus isso é prudência.” Esse padre é realmente especial.

Guió, “Guiomar”, Guiomarzinha é jornalista, cantora, filha, mãe, tia-avó, irmã, sobrinha, neta, mas, antes de tudo, é uma alma que abriga a centelha divina.

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