Filosofia digital.

“Eu costumo entender mais a frequência do que a palavra. Quando o cachorro rosna ele não tá falando nenhuma palavra, mas eu entendo porque ele está rosnando. Se a pessoa tá rosnando com palavras bonitas, eu não entendo a palavra bonita, entendo o rosnado. Eu não me prendo às palavras, eu me prendo a atitudes. É muito fácil dizer um monte de coisa linda e tomar atitudes contrárias. Chega uma hora em que a palavra não justifica. As atitudes falam mais que as palavras.”

BBB também é filosofia... Esta fala é do Fiuk, filho do cantor Fábio Junior, num dos programas de maior audiência nesse país, numa época em que a TV não é o veículo mais utilizado, mas sim um dos mais replicados. O programa ganhou fôlego no ano passado, quando as pessoas passaram a ficar em casa (por causa da pandemia) e pela presença de artistas e digital influencers no seu elenco.

Mas não é a primeira vez que um pensamento ou opinião ali nos marca ou nos influencia. As relações construídas no reality nos remetem quase sempre a algo que já vivemos e nos faz questionar o quão pequenos somos, e como o ambiente e as relações moldam nosso querer e nosso fazer. Os “cobaias humanos”, encarcerados e vigiados, se assemelham muito a cada um de nós, condicionados pela formação, pelo trabalho, pelas relações familiares e pela cultura de cada lugar.

Praticamente um tratado antropológico exposto 24 horas por dia, por quase 4 meses, para milhões de pessoas. Há os que chamam a atração de “lixo” e há os fanáticos, seguidores assíduos do programa, há 21 anos. As novelas já foram a grande paixão dos brasileiros na TV. Hoje perdem para a novela da vida real.

Guiomar é jornalista e locutora do Vozes de Minas: www.vozesdeminas.com.br/voz/guiomarcastro

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