Menino e Rei.

Era uma vez, um menino que nasceu pra ser rei. Na verdade, um rei que se fez menino. E se fez homem e cumpriu sua missão na Terra, como nenhum outro. Sem se deixar turvar pelas intempéries, sem se deixar seduzir pelas belezas e riquezas. Turvou o corpo, mas não a alma. Turvou a vontade, mas não a do pai. Sacrificou a sua carne pela nossa. Lavou nossa honra com a sua. Sofreu, mas não se desviou do caminho.

Como isso é difícil. Como é difícil seguir nosso caminho sem nos deixar seduzir, iludir, confundir. Nossa índole, nosso talento, nossa missão. É uma batalha diária, intrínseca, seca, doída. É fácil se deixar levar, é fácil desistir, é difícil persistir.

Nesse Natal, deixemo-nos levar sim, mas pelo amor. Pela doçura, pela compaixão, pela empatia, pelo perdão. Essa palavra é fácil de escrever, mas é quase impossível praticar. Perdoar tem dois significados: “se doar totalmente” ou “dom perfeito”, que se complementam. Ambos dificílimos de se alcançar.

Comecemos pelo mais simples. Se doar, de vez em quando. Se abrir, quando for possível. Fazer um esforço pra isso, pelo menos. Desejo a você a tentativa e a conquista de algo mínimo, mas significativo pra uma relação, para um sonho ou, simplesmente, para sua autoestima.

Feliz Natal, mesmo se estiver sozinho. Afinal, o aniversariante estará presente, com certeza!

Guiomar é jornalista e locutora do Vozes de Minas: www.vozesdeminas.com.br/guiomarcastro

 

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