Semente de mostarda.

Já encontrou uma flor nascida no asfalto? Uma árvore cujas raízes saltam pra fora, no cimento da calçada? Uma criança sozinha em festa de adulto... Ou mesmo um doce numa caixa de salgadinhos? Coisas surpreendentes como um sorriso num velório ou um copo d’água no deserto. Um raiozinho de sol num dia nublado como hoje. Necessário e muito esperado.

Assim é quando todos te julgam, te condenam e te penalizam sem te ouvir ou, pelo menos, conceder o benefício da dúvida... E, do nada, aparece um vizinho e te oferece um prato de comida, feito com carinho. Ou um amigo te liga, dizendo que sente sua falta. Ou mesmo seu filho lhe diz, com todas as letras, que te ama muito.

Deus deve pensar assim: “Esse cidadão erra muito... Como todos os outros. Mas não posso deixa-lo sozinho agora. Ele erraria muito mais. Vai lá, faz um carinho em meu nome. Diz a ele que eu o amo. Conta que, quando estive por lá, também fui odiado. Mesmo quando eu mostrava o caminho, quase todos estavam surdos. Peça pra ele se dar uma chance e tentar me imitar, de vez em quando. Eu fui amado por poucos e mesmo assim estou aqui, olhando por todos. Dignidade é meu nome. Mansidão, meu sobrenome. E Gratuidade é tudo que ofereço. De graça dou a vida, de graça o perdão, de graça o pão de cada dia... Basta tentar, apenas tentar, fazer um pouquinho do que fiz: retribuir com amor cada palavra, cada gesto, cada pensamento. Ele brotará como a flor no asfalto e resistirá como o sol na chuva de verão. Não importa se verão ou sentirão. Importa fazer, importa ser essa semente de mostarda lançada ao vento. Pequenina, mas persistente”.

Guiomar é jornalista e locutora do Vozes de Minas: www.vozesdeminas.com.br/voz/guiomarcastro

 

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