quarta-feira, 8 de Julho de 2020 17:28h Portal G37

Manifestações patológicas em fachadas.

O revestimento de fachadas possui um papel importante no desempenho de uma edificação, não só pelo aspecto visual, como também pelo aspecto de durabilidade, valorização do imóvel e eficiência destes. A qualidade no revestimento está associada ao projeto desde a sua fase de concepção.

 

Conhecer os fatores que interferem na qualidade do revestimento se faz necessário para agir de forma criteriosa na tomada de decisão.

 

As manifestações patológicas mais frequentes são de destacamento e estufamento das placas cerâmicas, e por fim, entende-se que essas manifestações patológicas devem ser solucionadas por sua causa e não por seu efeito.

 

Origem das causas:

 

Congênitas: originárias da fase de projeto, erros e omissões dos profissionais, como falha no detalhamento e concepção inadequada dos revestimentos.

 

Construtivas: execução da obra, emprego de mão de obra despreparada, produtos não certificados e ausência de metodologia para assentamento das peças.

 

Adquiridas: ocorrem durante a vida útil dos revestimentos, podendo ser naturais, decorrentes da agressividade do meio, ou decorrentes da ação humana, em função de manutenção inadequada ou realização de interferência incorreta nos revestimentos, danificando as camadas e desencadeando um processo patológico.

 

Acidentais: fenômeno atípico, resultado de uma situação incomum, como a ação da chuva com ventos de intensidade superior ao normal, recalques e, até mesmo incêndio.

 

Necessário se faz uma diagnose de quando do surgimento das referidas manifestações patológicas de fachadas. A primeira é aquela representada pela coleta e tabulação dos elementos construtivos encontrados e modus operandi dos artífices no que concerne ao desplacamento de peças cerâmicas e tudo aquilo lhe é transversal (substrato, cordões, desempenadeiras lisas e dentadas, análise do tardoz, análise do vitrificado, juntas de dilatação entre peças, juntas de dilatação dos panos, juntas de dessolidarização, tempo de exposição de argamassa, cura, liberação de trânsito, rejunte, etc.).

 

A segunda é aquela representada pela análise do processo de execução, contendo os materiais usados na obra e mão de obra díspar do quadro de prestadores de serviços.

 

Importante salientar que, as manifestações patológicas de fachadas, quando, por exemplo, do desplacamento de peças cerâmicas, podem ter origem de outras manifestações patológicas, como é exemplo de alteração da condição ideal da estrutura e ausência ou ineficiência de vergas e contravergas.

 

Destacamentos

Os destacamentos são caracterizados pela perda de aderência das placas cerâmicas do substrato, ou da argamassa colante, quando as tensões surgidas no revestimento cerâmico ultrapassam a capacidade de aderência das ligações entre a placa cerâmica e a argamassa colante e/ou emboço.

 

O primeiro sinal dessa manifestação patológica são os sons cavos (‘chocos’) no revestimento e se observa o estufamento da camada de acabamento (placas cerâmicas e rejuntes), seguido do destacamento destas áreas, que podem ser imediato ou não.

 

Eflorescências

As eflorescências são resultantes da presença de sais solúveis, água e pressão hidrostática. Impedir com que a água entre em contato com estes sais é fundamental para que as eflorescências não ocorram.

 

Dilatação e retração das placas cerâmicas

Esse problema ocorre quando há variação térmica e/ou umidade (a expansão por umidade é uma característica limitada em 0,6 mm/m pela NBR 13.818:1997 - Placas cerâmicas para revestimento - Especificação e métodos de ensaios). Estas variações geram um estado de tensões internas que, quando ultrapassam o limite de resistência da placa cerâmica, causam trincas e fissuras, e, quando ultrapassam o limite de resistência da camada de esmalte, causam gretamento.

 

Deterioração das juntas

Este problema, afeta diretamente as argamassas de preenchimento das juntas de assentamento (rejuntes) e de movimentação. Compromete o desempenho dos revestimentos cerâmicos como um todo, já que estes componentes são responsáveis pela estanqueidade do revestimento cerâmico e pela capacidade de absorver deformação.

 

PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE E CARACTERIZAÇÃO DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM REVESTIMENTO.

 

  1. Análise visual e mapeamento dos pontos de ocorrência dos desplacamentos;
  2. Identificação de fissuras com inspeção minuciosa nos pontos de desplacamento;
  3. Avaliação dos danos coletados e identificação das prováveis casas;
  4. Simular, por fim, as deformações que estão ocorrendo na fachada, através de modelador matemático de elementos finitos;

 

NORMAS DE REFERÊNCIA

  • ABNT NBR 7200:1998 - Execução de revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas - Procedimento;
  • ABNT NBR 13755:2017 - Revestimentos cerâmicos de fachadas e paredes externas com utilização de argamassa colante - Projeto, execução, inspeção e aceitação - Procedimento;
  • ABNT NBR 13245:2011 - Tintas para construção civil - Execução de pinturas em edificações não industriais - Preparação de superfície;
  • ABNT NBR 14992:2003 - A.R. - Argamassa à base de cimento Portland para rejuntamento de placas cerâmicas - Requisitos e métodos de ensaios;

 

CONCLUSÃO

Com a técnica adequada, materiais adequados a cada situação e mão de obra treinada e qualificada, certamente o percentual para o surgimento de manifestações patológicas ligadas ao revestimento seria bem menor a incidência do percentual hoje existente.

 

Luiz Otávio Santos Pereira

Eng. Civil Sócio da Luppa Engenharia Diagnóstica Ltda.

Especialista em Avaliações e Perícias de Engenharia

CREA-MG 173.118/D

(37) 3214-2160 – (37) 98842-7847

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