terça-feira, 28 de Abril de 2020 19:38h Atualizado em 28 de Abril de 2020 às 19:47h. Portal G37

O processo de estanqueidade.

Muito se fala e muito se sofre com infiltração. O caso mais comum é aquele que a infiltração vem do andar superior, seja apartamento para apartamento, ou da laje de cobertura para os apartamentos e áreas comuns logo abaixo.

 

De apartamento para apartamento o fato se deve muitas das vezes às questões das instalações hidrossanitárias, lembrando que os ralos tanto do Box quanto do externo a ele fazem parte das instalações hidrossanitárias.

 

O da laje pode ser por três motivos, o primeiro que tem um telhado com vazamento, o segundo que tem uma manta asfáltica com vazamento e o terceiro a laje que não tem nada em cima ou a aplicação errônea de argamassa impermeável.

 

Temos também as infiltrações nas bordas das janelas, nas jardineiras, em algumas paredes e muito se vê nas garagens subterrâneas nos muros de arrimo.

 

Para um melhor entendimento vamos fazer a abordagem do assunto primeiro falando da laje, laje de cobertura, àquela que se encontra no nível mais alto da edificação.

 

A laje de cobertura pode ter o seu processo de estanqueidade, ou seja, o processo correto que impede a passagem de toda e qualquer água, principalmente as águas pluviais (de chuva) para o interior da edificação.

 

São dois os processos: por manta asfáltica ou por telhado.

 

O processo de manta asfáltica, normalmente, acontece quando se pretende utilizar a laje cobertura para um fim qualquer, lavanderia, tomar sol, e muitas das vezes em encontros de pessoas para se festejar alguma coisa.

 

Mas na verdade este processo não é “simplesmente” colocar uma manta asfáltica por sobre a laje.

 

Pois bem, o serviço de impermeabilização por manta não consiste apenas em colocá-la por sobre a laje, pelo contrário, primeiro há a necessidade de fazer o cálculo de declividade, o número de bocais e suas bitolas e criar-se um modelo específico para cada caso.

 

A norma que “estabelece as exigências e recomendações relativas à seleção e projeto de impermeabilização, para que sejam atendidos os requisitos mínimos de proteção da construção contra a passagem de fluidos, bem como os requisitos de salubridade, segurança e conforto do usuário, de forma a ser garantida a estanqueidade das partes construtivas que a requeiram” é aquela de código ABNT NBR 9575:2010, publicada em 17/09/2010 e válida a partir de 17/10/2010, que tem como título: “Impermeabilização - Seleção e projeto”.

 

Infiltração da laje de cobertura da garagem

 

  • Da reparação da superfície

A superfície deverá ser previamente lavada, isenta de pó, areia, resíduos de óleo, graxa, ou qualquer tipo de material que possa prejudicar a aderência (atentar para) do produto. Sobre a superfície horizontal úmida, faça a regularização com caimento mínimo de 1% em direção aos pontos de escoamento de água.

 

  • Da preparação da argamassa de regularização

A argamassa de regularização deve ser preparada com argamassa de cimento e areia média, traço 1:3, utilizando água de amassamento composta de 1 volume de emulsão adesiva e 2 volumes de água para maior aderência (atentar para) ao substrato. Esta argamassa deverá ter acabamento desempenado, com espessura mínima de 2 cm.

 

  • Da colocação da manta

Na região dos ralos, crie um rebaixo de 1 cm de profundidade, com área de 40x40 cm, com bordas chanfradas, para que haja nivelamento de toda a impermeabilização após a colocação dos reforços previstos neste local. Todos os cantos e arestas deverão ser arredondados com raio aproximado de 5 cm a 8 cm. Nas áreas verticais em alvenaria, inicie o chapisco de cimento e areia média, traço 1:3, seguido da aplicação de uma argamassa desempenada, de cimento e areia média, traço 1:4, utilizando água de amassamento composta de 1 volume de emulsão adesiva e 2 volumes de água. Nos vãos de entrada das edificações (portas, esquadrias, etc.), a regularização deverá avançar no mínimo 60 cm para o seu interior, por baixo de batentes e contra marcos, respeitando o caimento para as áreas externas, exceto para áreas internas com pisos de madeira ou degradáveis por ação de umidade. Os ralos e demais peças emergentes deverão estar adequadamente fixados de forma a executar os arremates. Fazer imprimação com emulsão asfáltica e depois proceder à aplicação da manta com chama de maçarico.

 

Alinhar a manta asfáltica em função do requadramento da área, procurando iniciar a colagem no sentido dos ralos para as cotas mais elevadas. Com auxílio da chama do maçarico de gás GLP, proceder à aderência total da manta. As emendas das mantas deverão ter sobreposição de 10 cm para receber biselamento (chanfros executados nas duas bordas das mantas que serão emendadas) e proporcionar perfeita vedação. Executar as mantas na posição horizontal, subindo 10 cm na posição vertical. Alinhar e aderir à manta na vertical, descendo e sobrepondo em 10 cm na manta aderida na horizontal. A manta deverá ser aderida na vertical, 30 cm acima do piso acabado (ver croquis).

 

  • Da argamassa de proteção da manta

Executar a argamassa de proteção mecânica de cimento e areia traço 1:4, desempenada com espessura mínima de 3 cm. Esta argamassa deverá ter juntas perimetrais com 2 cm de largura, preenchidas com argamassa betuminosa, traço 1:8:3 de cimento, areia e emulsão asfáltica.

 

Vertical: Sobre a impermeabilização, executar chapisco de cimento e areia média, traço 1:3, seguido da execução de uma argamassa desempenada de cimento e areia média, traço 1:4. Utilizar água de amassamento composta de 1 volume de emulsão adesiva e 2 volumes de água. A argamassa deverá ser armada com tela plástica, subindo 10 cm acima da manta asfáltica.

 

Foto 01. Mostra esquema colocação da manta com seus substratos

 

Foto 02. Mostra colocação da manta onde tem soleira

 

Foto 03. Mostra colocação da manta onde tem ralo (ralo convencional)

 

Foto 04. Mostra colocação da manta onde tem bocal (no caso, suspiro)

 

Foto 05. Mostra colocação da manta na parte ascendente

 

Na próxima publicação deste autor, falaremos sobre o processo de telhado que é aquilo preconizado na norma da ABNT NBR 15.575 de 2013 - Desempenho de edificações habitacionais que estabelece os requisitos e critérios de desempenho aplicáveis às edificações habitacionais, como um todo integrado, bem como a serem avaliados de forma isolada para um ou mais sistemas específicos. Essa norma é dividida em seis partes: uma de requisitos gerais da obra e outras cinco referentes aos sistemas que compõem o edifício (estrutural, de pisos, de cobertura, de vedação e sistemas hidrossanitários). Para cada um deles a norma estabelece critérios objetivos de qualidade e os procedimentos para medir se os sistemas atendem aos requisitos.

 

Adalberto Alves do Carmo

Eng. Consultor da Luppa Engenharia Diagnóstica Ltda.

Especialista em Análise das Manifestações Patológicas em Obras Civis

CREA-MG 19.358/D

(37) 3214-2160 – (37) 98403-1200

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