A Globalização em Pauta.

O processo de globalização, com as novas tecnologias da informação, não somente modifica a forma do jornalismo impresso mundial, mas cria uma nova forma de tratar dos assuntos, considerando sua seleção e enfoque, que passa a ganhar novas dimensões e valor para as notícias (qual seria o valor-notícia nos tempos atuais?). O Brasil ganha acentuada importância neste cenário político e econômico nos fluxos informativos, considerando sua potencial liderança na América Latina, com uma triangulação entre Europa/Estados Unidos, Brasil e região (avaliando a rivalidade entre os países que acentuam as diferenças de modelos, com Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina de um lado; Peru, Chile e Colômbia de outro). Nesta relação estão as instituições e representações políticas globais. O jornalismo brasileiro ganha importância nacional e regional, com grande expressividade para os negócios internacionais e imprescindível para a opinião pública.

Um fenômeno que vem sendo observado por pesquisadores latino-americanos: cada vez mais, o jornalismo impresso (especificamente) é mais acessível a milhares de pessoas, a custo cada vez mais em conta, diferentemente do que ocorria nos tempos do papel, que viajava de caminhão e ônibus, a noite inteira, para chegar às portas de seus leitores. Hoje, mais vale a audiência do que exatamente o retorno da vendagem por unidade, que sempre foi uma realidade do jornalismo, mas com modificações em tempos contemporâneos. Os custos do jornalismo na pós-modernidade podem ser avaliados como aquele que ganha espaço na preservação da ordem global, o qual cada vez mais passa pelas regiões, uma espécie de periferia do sistema, com base nos centros de proliferação da economia global. A publicidade está na ordem do discurso pragmático jornalístico, numa perspectiva além-fronteiras.

Importante observar o papel das instituições que ganham cada vez mais importância neste cenário de informação, que preservando modelo social, com formação de representação política e alterações culturais. Cada vez mais a academia forma intelectuais que se apresentam nas mídias com vozes, organizadas a partir de determinadas referências do estado do bem-estar social. Isso evidentemente espalhado pelo mundo, e, sobretudo, na América Latina, cuja população está sempre em movimento e contestadora de uma hegemonia econômica dos grandes centros. Muitas vezes são projetos externos, na visão moderna global, ambiciosos de destituir governos, alterar comportamentos de consumo e enraizar costumes pouco cristalizados nas culturas locais. Uma disputa que passa também pelas mídias brasileiras e ganha grande importância sistêmica. Portanto, academia e jornalismo vão se tornando porta-vozes de uma determinada ordem institucional, numa escala cada vez maior. Neste meio, devem ser consideradas as diversas ONGs espalhadas pelo mundo.

Assim sendo, o jornalismo ganha cada vez mais importância, se considerando que é neste espaço público, que se efetiva o debate, mais complexo e importante, de modo que a sociedade por si só não consegue observar os fenômenos, cada vez mais efêmeros no tempo, que não para. Pode parecer que não há mudanças, pois o jornalismo sempre esteve na ordem do dia da população, mas agora, como nunca visto, é o mediador privilegiado, sem substituto, por ora. Exigindo meticulosamente entender sua mensagem proposta em consenso e entrar nas disputas de ideias, na ordem social, neste ciclo descrito. Esta matriz narrativa, que os grandes jornais fazem uso, estaria no princípio desta disputa, que se modifica, num processo recorrente e diário.

 

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