Análise do discurso: Linguagem como prática social.

Com o surgimento da Linguística no século XIX e com o lançamento do Curso de Linguística Geral de Ferdinand de Saussure, no início do século XX, os estudos desenvolvidos sobre a linguagem foram tomando dimensões diferentes, ou seja, foram surgindo diversas outras disciplinas no campo da linguagem. Saussure é considerado o precursor da linguística, pois além de contribuir para o surgimento de uma nova ciência, seus postulados teóricos deram origem ao estruturalismo, como também contribuíram para instigar muitos questionamentos a respeito da linguística do século XX e, consequentemente de suas obras.

Os inúmeros embates que se faziam em torno das obras de Saussure foram provocando discussões sobre a epistemologia da Linguística, já que para ele, a língua se constituía como algo abstrato e homogêneo, e seu objeto de estudo se restringia à própria língua.

Esta visão sistemática da língua, tratando a fala de forma irrelevante foi posta em discussão, no final dos anos 60, mais precisamente na França, em uma conjuntura intelectual e política, em que as discussões em torno da Linguística se davam de maneira mais ampla. Assim, de acordo com esses intelectuais da época, a linguagem não poderia estar limitada a este sistema reducionista

 

Nesse sentido, os elementos excluídos por Saussure como: a fala, o sujeito, a ideologia e a história foram trazidos para os embates linguísticos. Nesse contexto, simultaneamente, surgem várias teorias que rompem com o conceito de linguagem de Saussure e sugerem uma análise subjetiva e que transcende os limites da frase.

Isso implica dizer que o interdiscurso define a formação discursiva, visto que, um falante ao se inserir num espaço discursivo faz uso de palavras, proposições, expressões que dentro da formação discursiva dê sentido ao seu discurso e para isso é necessário que ele recorra a outros discursos para dar sentido ao que pretende enunciar. É mediante esse fato que compreendemos que a formação discursiva é heterogênea e que é perpassada por diversas outras formações discursivas e é em consequência disso que toda formação discursiva se define a partir de um interdiscurso.

Segundo essa ótica, compreendemos que todo discurso está relacionado com outros, isto é, todo discurso é heterogêneo já que o sujeito não é autor/dono daquilo que diz, tudo que é dito já foi enunciado por alguém em um contexto e condição de produção diferentes. É pelo interdiscurso que o sujeito é capaz de evidenciar, dar significações ao seu discurso, como também é através de seu funcionamento (do interdiscurso) que o sujeito não consegue reconhecer o seu assujeitamento, já que esse assujeitamento se dá de forma tão transparente que acaba criando a imagem ilusória de que o sujeito é dono do que diz.

Portanto, não cabe mais perceber a linguagem apenas centrada na língua (abstrato e homogêneo), e sim, numa visão bem mais ampla, já que o processo de interação verbal se dá por meio da produção do discurso, mesmo porque ao produzirmos um enunciado, falamos num contexto de produção específico, além de tudo, num ato enunciativo, participamos de um jogo de imagens que criamos a respeito de nosso interlocutor e vice-versa, e a Teoria Linguística Análise do Discurso teve papel preponderante para que vejamos a linguagem hoje não somente como código, mas, sobretudo como prática social.

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