CONSTÂNCIA

Na Bíblia, Deus fala da necessidade da constância, e ensina-nos que as dificuldades nos fazem bem. Mais ainda, diz-nos, muitas vezes, que as dificuldades são necessárias e construtivas:

— Deus provou os justos e os achou dignos de si. Ele os provou como ouro na fornalha, e os acolheu como holocausto (Sb 3,6).

— Feliz o homem que suporta a provação, porque depois de ter sido provado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam (Tg 1,12).

— A tribulação produz a constância, e esta produz a virtude a toda prova (Rm 5,3-4).

As provas da constância

            A) As dificuldades são desafios

Nada que tenha valor é fácil. A vida cristã, obviamente, também não. Cristo falou-nos bem claro de que, no nosso caminho, não faltará a cruz: Se alguém quer vir após mim… tome a sua cruz e siga-me (Mt 16,24).

Mas a cruz não é a morte, é a vida. Pela Cruz, Jesus chega ao cume do amor e à glória da ressurreição, à plenitude da sua vida na terra e da sua missão redentora: Tudo está consumado (Jo 19,30), tudo está pleno, acabado, perfeito – disse ao morrer. Também nós, para chegarmos à plenitude da vida cristã precisamos superar, com a força da cruz, a fragilidade do amor, o medo da santidade, a resistência ao sacrifício, a vertigem dos cumes.

A dificuldade desafia-nos a ser autênticos. Queremos ou não ser cristãos? Amamos ou não amamos?

A resposta a essas perguntas será dada pela nossa coragem em enfrentar os obstáculos, na luta por superá-los, por mais que custe. É nessa constância – que não retrocede ante o que custa – que se forjam as famílias santas, os sofrimentos santificados (“sofro porque dói, sorrio porque Ele me ama” – dizia aquele amigo), as vocações grandes, os apostolados fecundos, as virtudes sólidas, a têmpera dos santos.

Pense que cada dificuldade, no caminho do amor e das virtudes, pode ser uma pedra de tropeço ou um degrau de subida. Peçamos a ajuda de Deus para termos a coragem de transformar os obstáculos em degraus da escada que leva ao Céu.

B) As dificuldades fazem crescer

Como acabamos de ver, as dificuldades – quando estamos decididos a amar – nos fazem subir.

Poderíamos fazer uma comparação. Na passagem da infância para a adolescência, o crescimento nota-se quase visivelmente, porque costuma ser acelerado. Depois, não se percebe de um mês para outro, mas o corpo amadurece e, a um ritmo invisível, vai se aproximando da “idade perfeita”.

Assim – quase imperceptível, mas constante – deveria ser o crescimento do nosso amor e das nossas virtudes, da nossa vida cristã. Em cada dia há dificuldades, pequenas ou não tão pequenas, que nos chamam a dar-nos mais, a dar algo mais e, portanto, a crescer: pedem mais generosidade, mais mortificação, mais autodomínio,  mais carinho, mais compreensão, mais oração, mais disponibilidade… Atrás de cada um desses “mais”, sempre existe uma “pedra de tropeço”, uma dificuldade, que podia fazer-nos cair ou retroceder, mas que nós – com a ajuda de Deus – transformamos em degrau.

Agradeçamos a Deus as dificuldades. Sem elas, seríamos anões espirituais, almas mornas. É famoso o alerta que dava, a esse respeito, São Gregório Magno: «Há alguns que querem ser humildes, mas sem serem desprezados; que querem ser castos, mas sem mortificar o corpo; ser pacientes, mas sem que ninguém os ofenda; adquirir virtudes, mas recusando a luta que as virtudes trazem consigo… É como se, não querendo saber nada dos combates no campo de batalha, quisessem ganhar a guerra vivendo comodamente na cidade. As dificuldades nos purificam

Já vimos que as Sagradas Escrituras falam das provações como de um crisol, onde o ouro da nossa alma se libera da escória e sai purificado.

Na vida espiritual cristã é assim mesmo. Todas as dificuldades enfrentadas com constância nos purificam. Sobretudo, as provações que Deus manda ou permite, e que nós aceitamos com fé e amor, unidos a Cristo na Cruz.

 

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