Liberdade Cristã

Missionário Marllon Almeida

 

Em Gálatas 5:1, Paulo exorta os Gálatas e a nós ficarmos “firmes na liberdade com que Cristo nos libertou”, e não mais meter-nos “debaixo do jugo da servidão”. Agora, no versículo 13 ele nos avisa contra o abuso desta liberdade da justificação cristã. Eis uma prova ampla de que a doutrina da justificação pela fé, sem as obras, é verdadeira. De outro modo, esta exortação não seria necessária. Se Paulo estivesse pregando a justificação pelas obras, não haveria sentido para tal exortação. Nós, que pregamos a salvação pela graça, por meio da fé e sem as obras, deveríamos também avisar contra o abuso da doutrina. Quem quiser ser salvo pela graça e então usar esta verdade como desculpa para pecar, mostra que não está na graça. Tanto no tempo de Paulo como em nossos dias, há quem diga: “Se a lei foi satisfeita por Cristo, e se somos salvos pela fé nEle – de tal maneira que não podemos perder esta salvação, então podemos continuar a viver em pecado”. Spurgeon respondeu assim a tal argumento: “Homem, você fala assim porque nunca nasceu de novo”. E poderá acrescentar que este é um argumento irracional. Dizer que porque Deus é bom eu posso agir como um demônio – que porque Ele me salva a um custo infinito de Sua parte e sem nenhum custo para mim, devo sentir que não lhe devo nada – que escolhido na eternidade em Jesus Cristo para ser santo, devo ver o quão ímpio posso ser – que sendo nascido de novo, não mostre nenhuma educação. Com certeza, ninguém que tenha nascido novamente, e está em estado de graça, pensa ou argumenta deste modo. Paulo dá o antídoto para tal raciocínio em outro lugar, ao dizer: “Julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”, 2 Coríntios 5:14-15.

Um estado ou condição que o crente tem diante de Deus em Cristo, e um sentimento que corresponde a esta condição. “Livres do medo temos ficado, Jesus morreu levando o pecado”. É um estado de justificação e liberdade da condenação, o qual temos em Cristo. Romanos 8:1 diz: “Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito”. Vejam também João 8:36 e Gálatas 5:1. Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. “Estai pois firmes na liberdade com que Cristo vos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão”.

Este sentimento será determinado pelo sistema particular de escravidão, no qual se vivia antes de confiar em Cristo. Quem tentava ser salvo guardando os dez mandamentos se sentirá aliviado da incerteza e mal-estar que sentia, tentando ser salvo assim. Quem estava escravizado a um sistema pagão, no qual tentava agradar os deuses através da flagelação, sentir-se-á feliz ao ver a verdade que a salvação vem, através do sacrifício de Cristo. Hebreus 9:26 diz: “Doutra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo: mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. Eu mesmo senti como se um fardo terrível fosse tirado da minha consciência, quando vi que não tinha que estabelecer minha própria justiça vivendo sem pecado e que Cristo se torna para o crente sabedoria, justiça, santificação e redenção. 2 Coríntios 5:21 nos afirma: “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Muita coisa já foi dita e escrita sobre a liberdade política. Todas as nações do mundo amam a liberdade em relação às leis e governos humanos. O Brasil não podia mais aguentar o domínio português e por isso declarou sua independência.

A escravidão religiosa é aquela que oferece salvação a preço dos méritos ou obras humanas. Cristo nos tornou livres do domínio de qualquer lei que coloque uma etiqueta com preço na salvação. Havia uma, mas Cristo a tirou ao pagar por ela com Seu precioso sangue Um intérprete muito sábio disse que a liberdade cristã é uma coisa e a maneira como a usamos, outra. A liberdade cristã é o sentimento interno que temos na presença de Deus; usamos quando a manifestamos diante dos homens. O crente vem a Deus como Pai, regozijando-se em Cristo, confessando seus pecados, feliz pela certeza do perdão e ansiando ser perfeitamente completo. Alegramo-nos nesta liberdade através da comunhão com Deus, sentindo-nos felizes pela redenção dada por Cristo que nos livrou da maldição da lei, do domínio do pecado e porque agora estamos debaixo da graça e não da lei. Os Gálatas estavam sendo pressionados a deixarem sua liberdade em Cristo e voltarem a viver sob a escravidão da lei humana.

Ao dizer aos Gálatas como usarem sua liberdade em Cristo, Paulo diz: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade”. Vamos tentar fazê-los entender o significado desta exortação e depois mostrar os motivos pelos quais Paulo a reforça.

Não usem esta liberdade para satisfazer as paixões carnais, mas, pelo amor, sirvam uns aos outros. A carne é o símbolo da natureza humana caída e sua condição depravada. Não significa o corpo em si, mas os desejos humanos como uma criatura caída. O corpo não é fonte de pecado, mas pode ser usado como instrumento do pecado. O coração humano como fonte de pecado nunca significa o órgão físico. Lemos em Mateus 15:19: “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias”. Do mesmo modo como o coração é o receptáculo da vida física, assim também o coração moral é o receptáculo da vida espiritual. A religião verdadeira é a do coração no qual há amor a Deus e ao homem. E o modo de usar a liberdade cristã é servir um ao outro em amor.

O amor é o cumprimento da lei. Enquanto se tenta ser salvo pela lei, não se age pelo amor, mas simplesmente por medo. Mas na liberdade da lei como modo de salvação, o crente em Cristo age pelo amor. E o modo de cumprir a lei como regra de conduta é amar ao próximo. Paulo cita Levítico 19:18, mas não o usa como Moisés fez. “Próximo” segundo Moisés era um dos filhos de teu povo. Isto é um judeu ou israelita. Mas “próximo”, segundo Paulo, equivalia a cada pessoa. Paulo aprendeu de Cristo quem é nosso próximo. Cristo nos diz quem ele é na Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25). Em Romanos 13:10 Paulo nos diz como o amor cumpre a lei. “O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor”.

© 2009-2021. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.