A força do exemplo.

Ômar Souki

 

David McClelland, especialista em motivação, demonstrou que a exposição a atitudes amorosas como as de Gandhi, do Dalai Lama ou de Madre Teresa podem estimular sentimentos altruístas e fortalecer nosso sistema imunológico. McClelland mostrou a seus alunos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, filmes de Madre Teresa cuidando de doentes em Calcutá, na Índia. Ele mediu as reações do sistema imunológico da audiência à medida que os alunos assistiam a freira em ação. Quase 50% deles disseram que se sentiram motivados pelo filme e a outra metade não se comoveu ou mostrou-se cética. Mas, ao verificar o que ocorria com o sistema imunológico dos alunos, McClelland descobriu que a maioria apresentava uma melhoria significativa de imunidade. E, os que tiveram essa melhoria, relataram um forte desejo de servir aos outros sem pedir nada em troca. Devemos, portanto, nos expor e expor nossa família a imagens e exemplos de amor, de bondade e de altruísmo. E evitar o contrário, ou seja, filmes de violência e novelas onde predomina o mau-caratismo.

Mahatma Gandhi demonstrou que a atitude pacífica tem mais força do que a violência. Através da não-violência, ele conseguiu libertar a Índia do jugo inglês. Seu exemplo foi seguido por Martin Luther King (1929-1968) na luta pelos direitos dos negros nos Estados Unidos. Em sua autobiografia esse líder norte-americano escreveu sobre a influência de Gandhi: “Ele foi provavelmente a primeira pessoa na história a erguer a ética de amor de Jesus acima da mera interação entre indivíduos a uma força social poderosa e eficaz em grande escala. O amor para Gandhi era um instrumento poderoso de transformação social e coletiva. Nessa ênfase que Gandhi dava ao amor e à não-violência eu próprio descobri o método de reforma social que estava buscando”. E, por sua vez, o exemplo de Luther King vem inspirando atitudes de não-violência em todo o planeta.

Outra pessoa que foi influenciada pelo exemplo de Gandhi é Nelson Mandela (1918-2013), que foi preso por causa de seus valores. Fez greves de fome contra a violência das autoridades sul-africanas. Foi condenado a prisão perpétua em 1964 e, devido a uma crescente campanha internacional pela sua libertação, foi solto em 1990. Em 1994, Mandela foi empossado como presidente da África do Sul, demonstrando que a não-violência tem enorme poder transformador e libertador.

Também gostaria de citar o Dalai Lama (1936 -      ) como seguidor do exemplo pacifista de Gandhi. Ele fugiu do Tibete em 1959, depois que os chineses invadiram o seu país. Desde então faz uma intensa campanha mundial pela libertação de sua pátria. Fora do Tibete, transformou-se em líder espiritual de imensa influência tanto para budistas como não-budistas. Logo depois de ser forçado a se exilar, ele fez uma peregrinação às margens do rio Jamuna, ao local onde Gandhi tinha sido cremado. Fez um paralelo entre a luta de Gandhi para libertar a Índia dos ingleses com a sua própria batalha em prol da libertação do Tibete do domínio chinês.

Escreveu: “Ali parado, rezando, experimentei simultaneamente uma grande tristeza por não poder conhecer Gandhi pessoalmente e uma grande alegria pelo magnífico exemplo de sua vida. Para mim, ele foi — e é — o político consumado, uma pessoa que colocava seu altruísmo acima de quaisquer considerações pessoais. Também fiquei convencido de que sua devoção à causa da não-violência foi o único modo de conduzir a política”.

 

© 2009-2021. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.