A humildade nos faz progredir.

Ômar Souki 

A arrogância é nossa maior inimiga, a humildade, nossa maior amiga. Ser humilde é ter a predisposição para o aprendizado constante. Enquanto a pessoa arrogante acha que já sabe tudo, a humilde acredita que ainda tem um longo caminho para percorrer. Por isso, opte sempre por essa atitude de abertura mental e espiritual. Você só tem a ganhar. Proponha-se mais perguntas do que respostas. O ser criativo é aquele que admite não possuir todas as respostas. Daí a sua motivação para a busca, para o aprendizado. Para ele, até os maiores fracassos podem ser úteis. 

O livro Como a Starbucks salvou a minha vida (Michael Gates Gill, Editora Sextante)—a história real de um homem que perdeu tudo e encontrou a felicidade servindo café—é um elogio à humildade. A obra está resumida na frase que abre o capítulo 1: “A humildade nos faz progredir” (Winton Marsalis, músico de jazz). Quanta sabedoria embutida em uma simples frase! Não pode haver progresso sem humildade. A missão de todos, sem exceção, não é regredir, mas progredir, portanto, essa frase contém o segredo da vitória em qualquer área da vida. A chave do fracasso se encontra na atitude oposta: na arrogância. O livro mostra como Michael Gill, ex-diretor de criação da J. Walter Thompson, a maior agência de publicidade do mundo, aprendeu que é melhor ser humilde do que arrogante. Com incrível candura, Gill, aos 63 anos, confessa seus maiores erros: 

  1. Passei a maior parte de minha vida tentando não fracassar. Tentando corresponder às expectativas dos meus pais. Morrendo de medo de decepcioná-los.
  2. Troquei minha família pelos meus clientes. Meus clientes se tornaram minha família, e meus filhos cresceram sem mim.
  3. Exagerei em minha lealdade com a empresa, trabalhando até altas horas, sempre disposto a adaptar minha agenda pessoal às necessidades dos clientes. Cheguei a      deixar meus filhos em prantos, em um dia de Natal, para atender a um mega cliente.
  4. Somente admitia pessoas como eu, com origem semelhante, isto é, brancas e advindas da elite norte americana.
  5. Dediquei 25 anos de minha vida a uma empresa, pensando que jamais seria demitido. Não me preparei para a maturidade. Nem mesmo fazendo um plano de saúde. 

Ironia das ironias. Depois de ser despedido da J. Walter Thompson, Michael foi admitido pela gerente da Starbucks—uma mulher negra, jovem, de origem humilde e que tinha dado duro para subir na vida. Essa pessoa, que ele jamais contrataria, ofereceu-lhe o emprego que, literalmente, salvaria a sua vida. Foi salvo de si mesmo, do orgulho que o impedia de aceitar e digerir o fracasso, tanto pessoal quanto profissional. Por mais simples que fosse sua nova colocação, fez com que ele recobrasse a alegria de viver. 

Um emprego humilde, reservado para negros, das classes mais baixas da sociedade, levou o autor a refletir sobre os valores fundamentais da vida. Fez com que ele questionasse a sua empolgação e entrega a uma ilusão de grandeza—em detrimento do convívio familiar. Depois de admitido na Starbucks não conseguiu recuperar sua família, mas conseguiu, isso sim, entender que a felicidade está mais próxima do que imaginamos. Não se encontra em subir cada vez mais e mais nos escalões de multinacionais, mas se alegrar em ser útil, em servir aos semelhantes, e descobrir a riqueza que existe em relacionamentos sinceros.

 

 

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