A virtude da paciência.

Ômar Souki

 

“Não deu certo... Paciência...” Quando as coisas e as pessoas não respondem como o esperado, paciência! O que acontece dentro de nós quando pronunciamos essa palavrinha mágica? Aceitação de resultados que não eram esperados. Calma diante do infortúnio. Atenção ao detalhe. Seguir calmamente os passos de uma instrução. Não desesperar diante das crises. Suportar desafios sem reclamar. Tolerância a erros ou fatos indesejados. Capacidade de suportar incômodos. Persistir diante de atividades difíceis. Esperar o momento certo de agir. Não se precipitar nas decisões. Libertar-se da ansiedade. Saber esperar pelo tempo de Deus.

Mas, a paciência, segundo o apóstolo Paulo, não é algo que se origina da natureza humana, mas sim, da ação do Espírito Santo:  “...o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, mansidão e domínio de si” (Gálatas 5, 22-23).  Portanto, segundo ele, a paciência está associada a várias outras virtudes: ao amor, à alegria, à paz, à bondade, à benevolência, à fé, à mansidão e ao domínio de si.

Depois que plantamos a semente, precisamos de paciência, para comer o fruto. Nenhum fruto aparece maduro da noite para o dia. Segundo Paulo: “Não nos cansemos de fazer o bem; se não desanimarmos, quando chegar o tempo, colheremos” (Gálatas 6, 9). “Descanse no Senhor e nele espere, não se irrite com os que triunfam, com o homem que usa de intrigas” (Salmos 37, 7). “Esperei ansiosamente pelo Senhor. Ele se inclinou e ouviu o meu grito” (Salmos 40, 1). “Mais vale o fim de uma coisa do que o seu começo, e a paciência é melhor do que a pretensão. Não fique com o espírito irado tão depressa, porque a irritação se abriga no peito dos insensatos” (Eclesiastes 7, 8-9).

Ouvi uma história sobre a irmã Dulce de Salvador, que ilustra o que é ter paciência. Ela estava dando sopa na boca de um mendigo doente quando ele cuspiu todo o líquido no rosto dela. Em vez de se irritar e xingá-lo, ela pacientemente limpou o rosto e disse ao indigente que ele deveria tomar a sopa, pois lhe faria bem e ajudaria em sua recuperação. Comovido pela atitude da freira, ele tomou toda a sopa.

A partir dos 12 anos, eu tinha um gosto especial por escrever cartas. Não só pelo prazer de receber notícias de longe, mas também pelo interesse em aprimorar o domínio do idioma inglês. Correspondia com um amigo nos Estados Unidos e com uma amiga na Holanda. Assim que recebia uma carta—com a ajuda do dicionário eu respondia—e logo corria até o correio que ficava a meia quadra de casa. Depois de enviada a missiva, era esperar pacientemente por uma resposta que poderia demorar de 15 dias a um mês, ou mais.  

Hoje aceleramos a vida e, em vez de cartas, enviamos e-mails ou mensagens pelo Whatsapp. Não temos mais paciência para escrever cartas. Mas, eu continuo gostando de receber cartas. Recebi outro dia, uma de alguém que comentava sobre um livro de minha autoria e fiquei não só feliz, mas também lisonjeado. Gostei tanto que logo tratei de responder de próprio punho, desenhando pacientemente as palavras no papel, em vez de usar o teclado do computador. Esse pequeno ato de paciência me proporcionou incrível satisfação!

 

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