Existe sentido na peste?

Ômar Souki

De repente, tudo mudou, o mundo foi infestado pelo corona, um vírus que veio da China, se espalhou pela Europa e chegou às Américas. Enquanto não se descobre o remédio para combatê-lo, ficamos em casa. Nós que pensávamos já ter tantos desafios, agora aparece mais um. Recebemos a todo o momento notícias sobre o avanço da peste. Vemos também pedidos de que não devemos ter medo, pois—cultivar um forte medo por 5 minutos—debilita o nosso sistema imunológico por 6 horas. O que fazer, então? Podemos nos inspirar em pessoas que conseguiram enfrentar tragédias e sair vitoriosos. Alguns se acidentam, perdem parte de sua mobilidade, sofrem, mas não desistem. Pelo contrário, chegam a afirmar que, com o acidente no qual quase perderam a vida, aprenderam algo importante: como—apesar de tudo—ser feliz!

Viktor Frankl, psicólogo e psiquiatra, nascido em Viena, Áustria, em 1905, tinha um interesse incomum pelo sentido da vida. Mas, durante a II Guerra Mundial, os planos de publicar suas ideias foram brutalmente interrompidos. Ele foi jogado em campos de concentração nazistas onde permaneceu por 3 anos. Conseguiu sair com vida. Mais, transformou aquela tragédia em um triunfo para a psicologia ao propor uma nova forma de pensar o viver. 

Para Frankl, o verdadeiro sentido da vida deve ser encontrado fora e não dentro da pessoa. A isso ele deu o nome de autotranscedência. Precisamos sair de nós e encontrar fora o “para que” de nossa existência:  “Não importa o que esperamos da vida, mas sim, o que a vida espera de nós. Portanto, o nosso viver é composto das respostas que damos às perguntas que a vida nos faz. A cada instante temos uma tarefa a realizar. Sendo assim, o sentido da vida muda de pessoa para pessoa, de momento a momento. A vida para cada um é algo concreto, único”. Uma vez escolhido o “para que”—ou “a pessoa para quem” iremos viver—conseguimos encarrar quase qualquer como. O caminho a percorrer para atingir o nosso propósito torna-se algo mais leve na proporção da clareza e firmeza que temos a respeito da meta a ser atingida.

Como humanidade nos encontramos diante de grandes tormentas, sendo o vírus apenas uma delas, dentre muitas: guerras, pobreza, poluição, doenças em geral (do corpo, da mente e da alma), etc. Cada um de nós tem a sua parcela de responsabilidade. Cada um pode contar com seus próprios talentos e vontade de ajudar. Eu me pergunto o que posso fazer agora? Algo que sempre fiz: escrever e inspirar as pessoas a olhar as crises como oportunidades de crescimento. Qual é o dom que Deus lhe deu? Como poderá utilizá-lo para ajudar seus semelhantes?

O vírus vai passar, mas a sua contribuição vai permanecer! Não existe nada mais gratificante neste mundo do que poder ajudar a alguém. Nem que esse alguém seja você mesmo!

 

 

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