Incerteza e otimismo.

“Muitas lojas fecharam, pessoas quebraram e adoeceram—não do vírus—mas da cabeça!”, relatou-me Marília Maia, psicóloga, no dia 23 de novembro de 2020, em Divinópolis.  Em 13 de março de 2020, o jornal Estado de Minas publicou que a cidade, com mais de 200 mil habitantes, tinha sido a primeira do estado a detectar um caso de covid.  Comércio e igrejas foram fechados—as pessoas se esconderam em casa—e multas de 800 reais aplicadas aos estabelecimentos “desobedientes”. Um mês depois—com apenas 29 casos confirmados e só uma morte—o prefeito decretou estado de calamidade pública. Mesmo depois da flexibilização   gradual que aconteceu a partir de junho, até hoje os resultados negativos se fazem sentir na economia e na saúde das pessoas.   

Por coincidência, dois dias depois da conversa com Marília, assisti a um vídeo sobre a situação em Estocolmo, na Suécia: comércio aberto, pessoas circulando normalmente, sem máscaras. Procurei mais informação sobre o caso sueco e deparei-me no site da Gazeta do Povo, com um artigo de André Borges Uliano, no qual ele mostra—através de dados—que, mesmo não havendo lockdown naquele país, o número de casos e mortes relativos à população não ficou acima dos países que fizeram o lockdown.

Ele disse: “Bom, para além desses dados, teríamos de adicionar que a Suécia não sofreu (ao menos, não na mesma medida) os impactos sociais da quarentena, como aumento da violência doméstica, mortes por desespero (suicídio e abuso de álcool e drogas), prejuízos educacionais pelo fechamento das escolas, e pesados prejuízos econômicos (com seus comprovados efeitos sobre a saúde e a vida das pessoas)”.

Tanto em Divinópolis, quanto em Estocolmo o vírus causou estragos. Mesmo sendo enfrentando de forma mais inteligente na Suécia do que foi no Brasil por prefeitos e governadores, a doença causou insegurança, mortes e tristezas tanto aqui quanto lá. Além do vírus, enfrentamos também outras incertezas, até mais dolorosas, pois, ninguém está livre dos desastres naturais que acontecem por toda parte.

Dados divulgados pela Organização Meteorológica Mundial em 13 de outubro de 2020 mostram que o número de desastres naturais aumentou cinco vezes nos últimos 50 anos. São terremotos, tempestades, inundações, secas e incêndios florestais, que estão aumentando em frequência, intensidade e gravidade. Aconteceram mais de 11 mil desastres naturais em meio século, onde 2,0 milhões de pessoas morreram e os prejuízos econômicos atingiram os US$ 3,6 trilhões.

Com frequência eu me pergunto: Como ser otimista em um ambiente de incerteza generalizada?

Acreditar que Deus é maior. Cultivar a sua espiritualidade diariamente seja por meio de orações, leituras ou reuniões religiosas.

Manter o equilíbrio físico e emocional. Alimentar-se de forma saudável e procurar apoio psicológico nas crises.

Praticar exercícios físicos. Escolher uma atividade de sua preferência seja natação, caminhada ou musculação.

Cultivar boas amizades. Não importa qual seja a sua profissão, será sempre importante manter contato com colegas e amigos, formando um grupo de apoio; onde comemorações e desafios são partilhados.

Ler biografias de pessoas que conseguiram superar-se na adversidade. É importa nos espelharmos naqueles que, apesar dos tombos, souberam sempre se levantar. 

 

Não é fácil manter a esperança, a fé e o otimismo quando estamos rodeados de desafios. Este é um momento no qual o mundo passa por dificuldades de toda ordem, sejam elas morais, econômicas, sociais ou políticas. Mesmo assim, poderemos manter o equilíbrio através de uma crença inabalável naquele que nos criou, de disciplina alimentar, de atividades físicas, de amizades saudáveis e de exemplos de superação!

 

 

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