Invencível.

Ômar Souki

 

Invencível corredor na juventude, chegou a participar—com destaque—nas Olimpíadas de Berlin de 1936. Durante a II Guerra Mundial conseguiu sobreviver a um horripilante combate aéreo contra os japoneses, do qual seu avião saiu com cerca de 600 buracos na fuselagem e a metade da tripulação, seriamente ferida. Em 1943, durante outra missão no Pacífico, os motores de seu avião pararam de funcionar. Sua aeronave caiu no oceano e ele, mais dois outros homens, se viram confinados a um pequeno bote. Tiveram de enfrentar a fome, a sede, os tubarões, o ataque de um avião japonês e um tufão com ondas de mais de 12 metros de altura. Um deles não resistiu e morreu. Mas, depois de 47 dias—e de terem percorrido milhares de quilômetros—ele e um colega foram capturados por um navio japonês.

Começaram, então, de fato, os tormentos de Louis Zamperini, descritos na obra de Laura Hillenbrand: Invencível—sobrevivência, persistência, redenção (Editora Objetiva); mostrados depois em filme do mesmo nome. Foi jogado em um campo de prisioneiros de guerra—que mais parecia um campo de concentração nazista. Enfraquecido pela travessia oceânica, seu sofrimento agora—em vez de diminuir—aumentou. Não só continuou a passar fome e adoeceu, mas também, era, todos os dias,  espancado brutalmente por um guarda japonês sádico. Foram dois anos de torturas insuportáveis. Mas, Zamperini resistiu e o fim da guerra ainda o encontrou vivo. Sua situação era tão precária que ele se descreveu assim: “eu era um cadáver que respirava”. Foi levado para um hospital nos Estados Unidos, onde recuperou a saúde. Depois casou-se, teve um filho e uma filha, e viveu até os 96 anos de idade. Quais as lições que ele nos deixa?

01. A energia pessoal precisa de uma válvula de escape. Desde criança Louis tinha um temperamento explosivo e uma queda para a rebeldia. Mas, aprendeu a canalizar essa energia para as corridas, onde dava o máximo de si. Manteve esse fogo interno acesso e fez com que ele se tornasse seu servo em vez de seu chefe. Foi essa força que lhe auxiliou durante as tormentas.

02. A fortaleza pessoal é a melhor forma de se preparar para qualquer desafio. “...o que importa para ganhar uma corrida é o que você faz com o seu corpo. Autoestima não consegue ganhar uma corrida se você não estiver em forma… é importante que você se fortaleça para enfrentar a vida”. “Eu fui criado para enfrentar qualquer desafio... se a pessoa for mimada em criança, pode até ter um treinamento forte (no exército), mas não consegue encarar o combate. Não foi fortalecida para enfrentar a vida”.

03. Tenha sempre um propósito e uma visão de futuro. Zamperini estava focado no futuro. “Em vez de desistir, eu fiz um propósito: não importa o que acontecer daqui para frente, eu jamais pensarei em morrer, mas só em viver”.  “Eu me adaptei à minha sorte em vez de questioná-la”. A força que Louis tinha adquirido durante as corridas, voltou para ajudá-lo a combater a morte e sair vivo do seu calvário. “Tudo que quero dizer para os jovens é que você não será nada na vida, se não aprender a se comprometer com um propósito. Você tem de ir ao mais fundo de você mesmo para ver se deseja, de fato, fazer os sacrifícios necessários”. “...a melhor forma de enfrentar qualquer desafio é estar preparado para ele”.  

04.  Mantenha sua palavra. Zamperini foi torturado até o limite de suas forças. Mas, os japoneses—que já haviam executado centenas de soldados americanos—fizeram questão de mantê-lo vivo. Por quê? Como atleta olímpico poderia ser utilizado para a propaganda de guerra. Um dia, o levaram para uma estação de rádio japonesa que transmitia propaganda contra os Estados Unidos e lhe ofereceram uma vida confortável, desde que ele transmitisse alguns textos. Porém, percebeu que as transmissões “iriam envergonhar a América e minar a fé dos soldados americanos em seu governo”. Recusou terminantemente. Disse aos repórteres que tinha feito um juramento de fidelidade ao seu país, e quebrá-lo não era uma opção.

Enquanto flutuava em seu bote salva-vidas, passou 6 dias sem água e sentiu que estava às portas da morte. Orou a Deus com fervor e jurou que dedicaria a sua vida a ele, se começasse a chover. No outro dia a água caiu do céu em abundância. Essa oração foi atendida por mais duas vezes. E, durante o cativeiro Zamperini repetia para Deus: “Senhor, leve-me de volta da guerra em segurança e eu vou lhe procurar e servir”. Foi exatamente o que fez ministrando palestras pelo país. Com o tempo a sua jornada de herói se transformou em inspiração para aqueles que se encontram à deriva no oceano da vida.

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