Na vida tudo passa.

Sentado no sopé da montanha observo o romper de um novo dia. A noite passou. O frio deu lugar ao sol.  A escuridão cedeu à luz. Tudo ganhou um colorido novo e a vida voltou à terra. O vermelho forte de pequenas flores contrasta com o verde vivo da mata. Os pássaros se deixam levar pelo vento e cantam felizes. Tenho a impressão de que jamais haverá noite. 

Durante a escuridão e a tormenta nosso único desejo é de que a luz e a solução de todos os nossos desafios cheguem para ficar e jamais nos abandonem. Isso, porém, seria como desejar um dia eterno. Sabemos que não é possível acontecer em um mundo sustentado pelo movimento e pela mudança. Depois do dia vem a noite—depois da escuridão, a luz. 

Mas a nossa primeira tentação pode ser desistir da luta—jogar a toalha. Uma reação comum às frustrações do cotidiano tem sido a depressão. As pesquisas indicam que essa será a principal doença a partir de 2020. Uma das explicações é que, além dos nossos problemas pessoais, temos conhecimento imediato das crises globais. Estamos sendo bombardeados pela mídia com toda sorte de notícias ruins. Portanto, além de saber lidar com nossas próprias questões, é importante filtrar com discernimento o que os noticiários nos apresentam. Para preservar a sanidade podemos nos focar no presente e saber que tudo, absolutamente tudo, passa. 
 
A impermanência é um dos princípios das religiões. Os ensinamentos dos grandes mestres apontam para a fragilidade da matéria. Um dia a pessoa está saudável, no outro, doente. Mesmo que alguém desfrute de enorme riqueza, tudo fica para traz no dia de sua passagem deste mundo. Nada permanece no mundo dos seres e das coisas. Tudo muda. Ao visitar meus antepassados através de antigos álbuns de fotos sinto o esforço que realizamos para congelar o passado. Mas não adianta. Daqui a algum tempo até mesmo as fotos terão desaparecido. 

 

Com os eventos bons ou ruins é o mesmo. Vão passar. Essa realidade é o nosso consolo durante as crises. Por pior que seja a situação, as coisas sempre mudam. Anos depois de passarmos por uma turbulência é que nos damos conta do valor positivo daquela experiência desagradável. Então, procure suportar com serenidade e otimismo a fase difícil e prepare-se para dias melhores. 
 
Quando enfrentamos dificuldades pessoais e profissionais temos a impressão de que jamais passarão. Quando estamos sofrendo parece que o tempo pára. Mas quando a felicidade nos visita, o tempo se acelera e desaparece ligeiro. Costumamos nos ancorar na tristeza e deixar a alegria escapar. Qual é a solução para esse dilema? 

Uma consciência viva de que tudo passa. Ao encararmos nossos desafios, podemos transformá-los em aprendizado. Sim, podemos aprender com a noite—olhar as estrelas e refletir sobre as soluções que nos aguardam no dia seguinte. A escuridão da noite, se bem aproveitada, poderá nos encher de energia e trazer, de bandeja, a solução de problemas pensados insolúveis. 

Temos em nós um manancial criativo desconhecido por muitos. Essa fonte inesgotável de inspiração pode ser acessada durante o sono. É a nossa ligação com Deus, com a Infinita Sabedoria, que pode se manifestar no silêncio. Quando estiver enfrentando o dragão e achar que não vencerá a batalha, pare! Talvez o melhor seja deixar a luta para o dia seguinte e buscar recursos no sono. 

Antes de se deitar, escreva o problema em uma folha de papel e coloque do lado da cama. Formule uma pergunta. Como posso encontrar a solução para os problemas que me afligem?

Na manhã seguinte procure lembrar-se dos sonhos. Se a solução não aparecer de imediato, insista: repita o procedimento por alguns dias. Anote seus sonhos—mesmo que não pareçam ter nada a ver com o problema. Depois reflita sobre os símbolos que lhe foram apresentados. Inúmeras vezes, uma imagem inócua, se revela como a chave para a solução de um problema—como luz em meio à escuridão. Enfim, durante as tormentas da vida é de suma importância saber que tudo passa. Nada permanece. Depois do inverno vem—inexoravelmente—a primavera!

 


 

 

 

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