Não nos deixeis cair em tentação.

Antes de passar os mandamentos para Moisés, o Todo Poderoso disse: “Shemá Israel!”—Ouça, Israel! Esse pode ser, de fato, considerado o primeiro mandamento: o da escuta, da obediência. O Altíssimo pede obediência em primeiro lugar. Ter a humildade de obedecer ao Senhor.   Daí, então, segue o decálogo encabeçado pelo amor a Deus, que deve superar a tudo.

Mas, se não tivermos um mínimo de disciplina, logo ao despertar, caímos em tentação ao saber das notícias do dia. “Motorista subiu na calçada e atropelou três”. “Mulher é agredida por vizinhos...”. “Acidente deixa 8 mortos...”. “Jovem morre atingida por tiro em festa...”. A lama do mundo nos atinge em cheio e agita o nosso dia. Saímos da cama e também da presença de Deus. A maldade nos amedronta e enfraquece a nossa fé. Abrimos uma brecha para o tentador.

Mas, Jesus—em suas aparições para Maria Valtorta—nos recomenda a humildade no combate às tentações: “Rezem com humildade para que Deus impeça as tentações. Oh! A humildade! Conhecer-se pelo que se é. Sem aviltar-se, mas procurando conhecer-se. Dizer: ‘Eu poderia ceder, porque eu sou um juiz imperfeito de mim mesmo. Portanto, Pai meu, se for possível, liberta-me das tentações conservando-me perto de você, para não permitir que o maligno me faça mal!’. Recordem-se disto: não é Deus que tenta para o mal, mas é o mal que tenta. Rezem ao Pai para que ele ajude a fraqueza de vocês, a tal ponto, que ela não possa ser induzida em tentação pelo maligno” (O Evangelho como me foi revelado, p. 310).

E, Andrew Morray, autor do livro Humility, afirma: “No indivíduo, humildade é a coisa necessária para permitir que a santidade de Deus habite nele e brilhe através dele. Em Jesus—o Santo de Deus, que nos santifica—a humildade divina foi o segredo de sua vida, morte e exaltação. O teste infalível de nossa santidade será a nossa humildade diante de Deus e dos outros. A humildade é a flor e a beleza da santidade” (Humility—the journey toward holiness: Bethany House, p. 61). Portanto, devemos ter a humildade de obedecer a Deus, controlando aquilo que irá ocupar a nossa cabeça e o nosso coração, principalmente, nas primeiras horas do dia. Ele, o nosso Criador, é quem deve ocupar nossos pensamentos e emoções.

Ao explicar a última frase do Pai Nosso, o Mestre dos mestres reforça a importância da humildade, que define como “Conhecer-se pelo que se é. Sem aviltar-se, mas procurando conhecer-se”. Uma excelente forma de nos conhecermos melhor é praticando o silêncio durante, pelo menos, duas vezes ao dia: pela manhã e à noite. A contemplação cotidiana permite que nos conheçamos melhor; conduzindo-nos amorosamente rumo a uma atitude mais humilde.

Segundo Pennington, o que procuramos na oração centrante é: “...deixar interpretações superficiais, falsas e limitativas, para estar com quem verdadeiramente estamos e ser o que verdadeiramente somos: criaturas nascidas do amor de Deus, unas com o resto da criação, inteiramente orientadas a buscar nele a completude da vida e do amor; e cristãos, aos quais foi dada a natureza de Cristo, orientados para ser, em Cristo, com o Espírito, uma completa afirmação ao Pai” (Oração centrante, p. 143).  

Durante a nossa vida, construímos uma falsa identidade, que se desfaz à medida que praticamos a oração do silêncio. Somos gradualmente conduzidos a perceber quem realmente somos: uma imagem do próprio Deus. Ao sentirmos isso no fundo do coração, nos tornamos mais e mais humildes, cheios de compaixão, unidos a Deus, à sua criação e às outras pessoas. Assim como o orgulho nos faz pensar que somos melhores que os outros—e nos enfraquece—a humildade nos fortalece, nos aproximando mais de nós mesmos, de nossos semelhantes e de toda a criação.

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