Não tenham medo

 

Naquele domingo escutei a seguinte mensagem: “Não tenham medo das pessoas, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. O que lhes digo na escuridão, digam-no à luz do dia; o que escutam ao pé do ouvido, proclamem-no sobre os telhados! Não tenham medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temam àquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!” (Mateus 10, 26-28). Jesus, também afirma que aqueles que se declaram ao seu favor diante do mundo, ele também vai se declarar a favor deles diante do nosso Pai que está nos Céus. Mas, aquele que o negar diante das pessoas, ele também o negará diante do nosso Pai.

Dado o contexto atual (primeiro semestre de 2020)—em que as pessoas estão apavoradas pela mídia que divulga sem cessar os horrores de uma “peste” que avança sobre a população—dizer a elas que não tenham medo pode parecer um paradoxo. O medo faz com que se escondam em casa, que as igrejas sejam fechadas e que a economia desabe. Mas, o Mestre dos mestres nos aconselha a não ter medo daquilo que pode matar o corpo, mas não a alma. A doença atinge o corpo, sim, porém, em muitos casos, a alma permanece sadia. Pode até se fortalecer!

Santos e santas conhecidos—assim como pessoas comuns—souberam enfrentar as doenças com um espírito de luta, e chegaram até mesmo considerá-las como bênçãos. Diante do sofrimento não reclamaram, mas agradeceram a Deus pela oportunidade de purificação da alma pela dor. Palavras do Padre Pio: “Eu não sei o que vai acontecer comigo; Eu só sei que uma coisa é certa, que o Senhor nunca ficará aquém das suas promessas. ‘Não tema, eu farei você sofrer, mas também lhe darei forças para sofrer’, Jesus me diz continuamente: ’Quero que sua alma seja purificada e julgada por um martírio diário escondido’… ‘Quantas vezes’, disse-me Jesus há pouco tempo, ‘você teria me abandonado, meu filho, se eu não tivesse crucificado você’”.

Santa Faustina Kowalska escreveu em seu diário as seguintes palavras de Jesus: “Minha filha, por favor, me agrade mais. Tanto no seu sofrimento físico quanto mental. Minha filha, não busque a simpatia das criaturas. Eu quero que a fragrância do seu sofrimento seja pura e não adulterada. Quero que você se destaque, não só das criaturas, mas também de si mesma… quanto mais você vir a amar o sofrimento, minha filha, mais puro será seu amor por mim”. E Santa Gemma Galgani declarou: “Quando me afasto do sofrimento, Jesus me reprova e me diz que ele não se recusou a sofrer. Então eu digo: ‘Jesus, a sua vontade e não a minha’. Por fim, estou convencida de que só Deus pode me fazer feliz, e nele pus toda a minha esperança…”

A doença pode até mesmo ser considerada como um remédio para as nossas faltas: “Provações e tribulações nos oferecem uma chance de reparar nossas falhas e pecados passados. Em tais ocasiões o Senhor vem a nós como um médico para curar as feridas deixadas pelos nossos pecados. A tribulação é o remédio divino” (Santo Agostinho de Hipona). Isso não quer dizer que devemos procurar a doença, mas sim, que a devemos aceitar com mais serenidade.

Paz de espírito, silêncio e oração podem fortalecer tanto o nosso corpo quanto a nossa alma. Em vez de nos contaminarmos com o vírus do medo, podemos seguir o exemplo heroico das pessoas que souberam e sabem enfrentar o infortúnio com um sorriso no rosto, dando graças a Deus pelo simples fato de estarem vivas. Em vez de nos deixarmos imobilizar pelo lodo que sai da grande mídia, podemos sim, testemunhar a coragem de Cristo em nossas vidas, buscando formas criativas de ajuda a nós mesmos e a nossos semelhantes. 

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