O dever supremo.

Hoje, dia 07 de abril de 2021, quarta-feira, depois de receber a Eucaristia na missa das 07h00, fui inundado por um propósito divino: levar o maior número possível de almas para o Céu. Até o dia de hoje essa não tinha sido explicitamente a minha razão de viver. Pelo contrário, eu me preocupava mais com o meu bem-estar e a minha própria salvação. Mas, de repente, ficou bem claro para mim que o meu bem-estar e a minha própria salvação dependem do meu investimento no bem-estar e na salvação de meus semelhantes.

Não é que eu não sabia disso, sabia, mas não estava tão nítido para mim como ficou hoje. Mesmo bem antes de sair para a igreja, ao despertar, eu pensava: “o que farei nos próximos dez anos? Dez anos passam rápido. Preciso de um plano de ação”. Estou com 72 anos e gostaria de empregar sabiamente o tempo que ainda me resta desta peregrinação sobre o planeta. Desejei do fundo de minha alma escrever sobre esse assunto de crucial importância para mim. Escrever é a minha forma de entranhar meus pensamentos.

Assim que abri o computador, me veio à mente aquela passagem na qual o Mestre dos mestres nos aconselha a buscar em primeiro lugar o seu Reino e não o da Terra: “Portanto, não fiquem preocupados dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir? Os pagãos é que ficam procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no Céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. Pelo contrário, em primeiro lugar busquem o Reino de Deus e sua justiça, e Deus dará a vocês, em acréscimo, todas essas coisas. Portanto, não se preocupem com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações. Basta a cada dia a sua dificuldade” (Mateus 6, 31-34).

Nesse ensinamento encontrei o meu “plano de ação”: viver um dia de cada vez. Vivendo um dia como eu gostaria que fossem os próximos dez anos, ao chegar aos 82, poderia olhar para trás e dizer que, de fato, tinha vivido bem aquela década. Como seriam quantificados o meu “bem-estar” e a minha “salvação”? Pelo número de pessoas que eu tivesse ajudado nesses dois quesitos. Como ajudá-las? Escrevendo, ministrando palestras e gravando vídeos. Sobre que assunto? Sobre como ir além do saber na busca do Reino, ou seja, como fazer da busca do Reino Celestial o propósito máximo da vida.

Essas reflexões foram influenciadas pela leitura do Diário de Santa Faustina na segunda-feira.  Faustina Kowalska mantinha um íntimo relacionamento com Jesus. Em um de seus diálogos com o Divino Esposo—que eu acessei por acaso naquele dia—Jesus lhe revela qual é a nossa missão na Terra e a urgência de nos aplicarmos com diligência a esse propósito.  

Faustina escreveu o que Jesus lhe havia pedido: “Filha, você ainda não está na Pátria. Por isso, vai, fortalecida pela minha graça, e luta pelo meu Reino nas almas humanas. Lute como lutaria uma filha de rei. Lembre-se de que os dias do seu exílio passarão depressa e, com eles, a possibilidade de você acumular méritos para o Céu. Espero de você, minha filha, um grande número de almas, que glorificarão a minha misericórdia por toda a eternidade. Minha filha, para poder responder dignamente ao meu chamado, recebe-me diariamente na Santa Comunhão. Ela lhe dará força” (Parágrafo 1.489). Como foi a luta de Faustina? Através da escrita. Mesmo com apenas dois anos de escola, ela foi capaz de escrever vários cadernos, que depois de publicados deram um livro de mais de 500 páginas, que se transformou na obra polonesa mais traduzida de todos os tempos.

Conclusão: escrever é preciso. Dentre tantas formas de evangelização, a escrita tem provado ser a mais duradoura. O Diário de Faustina confirma o meu desejo de escrever e reforça o meu dever supremo: levar almas para o Céu—principalmente a minha!

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