O dom supremo

Livro de autoria de Henry Drummond, O dom supremo, me encanta cada vez que o saboreio. Aleatoriamente o abri na página 58 que diz: “Vamos copiar os que aprenderam a amar. Vamos esquecer todas as regras que nos ensinaram sobre o que é o Amor...”. “...nada vai nos fazer amar, porque o Amor é um efeito. E só ao conhecermos a causa, é que o efeito se manifesta. Devo dizer qual é essa causa? Na epístola de João, encontramos as seguintes palavras: ‘Nós amamos porque Jesus nos amou primeiro’. Está escrito ‘nós amamos’ e não ‘nós O amamos’. ‘Nós amamos porque Ele nos amou primeiro’. Reparem na palavra porque. Essa é a causa a que me refiro. Porque Ele primeiro nos amou, o efeito—consequentemente—é que nós amamos. Somos todos manifestações do Amor. Amamos a Ele, amamos a nós mesmos, amamos a todos. É assim. Nosso coração vai, aos poucos, se transformando. Contemplem o Amor que lhes é dado, e saberão como amar”.

O dom supremo é o Amor. É dom. É graça. Então, amamos porque Ele, Jesus—Deus   feito pessoa—nos amou primeiro. E veio para nos ensinar a amar. O Amor não é uma obrigação. Ninguém poderá nos obrigar a amar. Nem podemos fazer com que alguém nos ame. Segundo Henry Drummond, para cultivar o Amor é necessário amá-Lo, pois o Amor produz o Amor. Compara o Amor à eletricidade. Quando colocamos um pedaço de ferro em uma tomada, levamos choque. E, ao colocá-lo perto de um imã, ele se transforma também em imã. Ao permanecermos perto de Jesus, que nos ama, nos amou e nos amará, seremos imantados pelo Amor. Qualquer pessoa que buscar essa Causa, conseguirá o Efeito.

Segundo o apóstolo Paulo, citado pelo autor, o Amor jamais acaba. As profecias desaparecerão. As línguas cessarão. A ciência passará. Mas o Amor jamais passará. Aqui na Terra, nossa visão é incompleta, é apenas um reflexo, como se estivéssemos nos vendo em um espelho. A imagem não é o nosso rosto. A imagem é uma pálida representação daquilo que, de fato, somos. As coisas do mundo são como miragens, pois se desvanecem. São coisas importantes para a vida cotidiana, mas não um dom supremo. Existe algo além dessas coisas. Porque o que somos é maior do que o que realizamos, e maior do que tudo que possamos possuir.

Sim, há uma variedade de coisas no mundo que são belas—que nos fascinam e nos engrandecem—mas que não vão durar. Tudo que existe, as coisas que são o nosso deslumbramento, assim como os prazeres da carne, o orgulho, a vaidade, etc., tudo existe por breves momentos. O conselho de Henry Drummond—apoiado por tantos e tantos sábios e santos—é que não devemos deixar que o nosso amor se prenda a essas coisas. Pois, nada, absolutamente nada, que o mundo oferece pode justificar a dedicação de uma alma imortal. A alma imortal deve ocupar-se daquilo que também é imortal. As únicas coisas imortais, segundo o apóstolo Paulo, são a fé, a esperança e o Amor. E dessas a mais importante é o Amor.

O Amor é a expressão de Deus em nós. De forma magistral, o autor afirma: “...o Amor—esse momento eterno—será sempre a única moeda corrente aceita no Universo, quando todas as outras moedas, de todas as nações, tiverem perdido seu uso e seu valor. Se quiserem se entregar a várias coisas, escolham se entregar primeiro ao Amor—e tudo o mais lhes será acrescentado”.

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