O joio e o trigo.

Ômar Souki

 

Em um campo de trigo aparece também a erva daninha. Os empregados perguntam ao patrão se devem arrancá-la. Mas, ele responde que se eles fizerem isso, estarão correndo o risco de arrancar o trigo junto com o joio. Pede que esperem até a hora da colheita. Depois de colhidos será fácil separar o joio do trigo. Aí, então, o trigo irá para o seleiro e o joio para o fogo.  

Quando os discípulos pediram a Jesus que explicasse essa parábola, ele disse: “Quem semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. Assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, o mesmo também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles recolherão todos os que levam os outros a pecar e os que praticam o mal, e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça” (Mateus 13, 37-43).

A explicação de Jesus representa uma séria advertência aos maus: serão lançados na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Por mais injusto que pareça o mundo—muitas vezes parecendo até que os corruptos estão sendo beneficiados—essa situação não permanecerá inalterada. Chegará o tempo da colheita onde cada um terá de colher aquilo que plantou. Até que isso aconteça, porém, aos maus é dada a oportunidade de mudarem de vida, daí a importância da paciência. O exemplo clássico da mudança é Santo Agostinho que, depois de permanecer por trinta anos no pecado, se converteu e passou a se dedicar a uma vida impecável.  Portanto, essa parábola pode ser tomada como uma lição de paciência e esperança mostrando que a todos deve ser dada a chance de mudar.

Em uma família de muitos filhos, nem todos seguem o caminho da virtude. A bondosa mãe vê que um deles está se extraviando, mas, nem por isso,  deixa de amá-lo. Fará de tudo para trazê-lo de volta. É como o bom pastor que deixa as noventa e nove ovelhas boas para ir atrás daquela que se perdeu. E quando ele a encontra, dá uma festa. Jesus garantiu que “... haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão” (Lucas 15, 7).

Comparando a parábola do joio e do trigo tanto com a do bom pastor, quanto com a do filho pródigo—em que o pai dá uma festa para o filho que estava perdido e foi salvo—chegamos à conclusão que o bondoso Pai está sempre a espera de uma mudança de vida. Portanto, durante está travessia na Terra, devemos ter plena consciência de que nunca é tarde demais para mudar. Mas, que mudar para melhor é preciso, porque mais cedo ou mais tarde chegará o dia da colheita.

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