O poder do foco.

O sacerdote levantou a hóstia e pronunciou as seguintes palavras: “Tomai e comei. Isto é o meu corpo que é entregue por vós. Fazei isto em memória de mim!”. Depois levantou o cálice com vinho dizendo “Tomai e bebei. Isto é o meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que é derramado por vós para a remissão dos pecados”. Esse é o ápice da missa que—por sua vez—é a nossa principal oração, momento em que o Céu toca a Terra. Ali acontece o sacrifício de Jesus no calvário, e a hóstia é transmutada em seu corpo e o vinho em seu sangue. Ajoelhado, eu meditava na transcendência daquele momento. Mesmo assim, por instantes meu pensamento fugiu para longe. Tive uma distração momentânea.

Pronto! Isso foi o bastante para que eu, depois da missa, refletisse sobre o poder do foco que é a atenção concentrada no momento, no eterno presente. Ao deixarmos escapar o instante, o agora, perdemos o foco, a atenção se dilui e a nossa obra fica prejudicada—menos que impecável. Do foco surge o fluxo (flow) que nos embala durante a realização de tarefas gratificantes.

Quando estou escrevendo—como agora—estou em fluxo. O foco é concentrado. A atenção é plena. A respiração, profunda. Sim, escuto o giro do ventilador, sinto o vento acariciando minha pele, percebo o balanço da cortina pelo rabo do olho, ouço o tráfico ao longe e os pássaros do meu vizinho.  Mas nada disso me distrai. Por que será? Porque estou fazendo uma das coisas que mais me dá prazer neste mundo: escrever!

A nossa atenção é capturada, quase que naturalmente, quando estamos fazendo algo que gostamos. Além de escrever e participar da santa missa, outras coisas que estimulam minha mente são as seguintes: meditar, orar, lecionar (pessoal ou virtualmente), ler, cozinhar, exercitar-me, fazer caminhadas (na beira do rio) com minha esposa e meus cachorrinhos e até mesmo passar roupa.

Dentre as suas atividades quais são as que mais ativam o seu cérebro? Priorize essas atividades. Dessa forma estará aumentando o poder do seu foco, ampliando a sua capacidade de concentração, diminuindo os riscos de acidentes, potencializando a sua produtividade e—ao mesmo tempo—vivendo mais e melhor.

Mesmo realizando uma tarefa rotineira como, por exemplo, tomar banho, dirija a sua atenção para o toque da água em sua pele e a sua ação revigorante, assim como, para o aroma do sabonete e o perfume do shampoo. Tomar banho pela manhã ou à noite pode se transformar em uma experiência inebriante dependendo do nosso foco.

Assim, não importa a transcendência da tarefa em questão, mas sim, a intensidade de nossa presença no aqui e agora. O oposto da presença é a distração.  Quanto maior a presença, maior a vida. O contrário também é verdade: quanto maior a distração, menor a vida. Voltando, então, para aquele momento—hoje cedo—em que o sacerdote pronunciou as mesmas palavras de Jesus na última ceia. Mesmo me distraindo momentaneamente, pude voltar a venerar a vida ali presente e assim, ampliar a minha própria existência para além do aqui e agora!


 

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