Oliveiral.

 

Naquele fim de semana houve um encontro de minha família—do lado paterno (o Oliveiral)—em um hotel fazenda. Tive a alegria de rever primos que não via há algum tempo e de revisitar nossas brincadeiras de criança. Dentre elas estava o costume de nos reunirmos para jogar futebol de botão na casa dos tios Severino e Conceição, na Rua Sete de Setembro, em Divinópolis, MG. Naquela época, a cidade praticamente terminava ali, depois do Instituto do Sagrado Coração. Foram inúmeras as recordações felizes, dentre elas, um momento dedicado à lembrança daqueles que já não estão entre nós.  

Foi aberto um espaço para homenagear os quatro parentes que partiram recentemente. Faleceram dois parentes—Dirceu e Joel—que já passavam dos 80 anos de idade, e dois—Oliver e André—que ainda não tinham chegado aos 40. Dois colhidos na maturidade e dois ainda jovens, cheios de vida e de sonhos. Durante a cerimônia, foram convidados os parentes mais próximos para destacarem as qualidades dos falecidos. Dirceu: Uma das filhas—Juliana—falou sobre o interesse dele pelas propriedades medicinais das plantas. Isso a influenciou a seguir a carreira de farmacêutica. A outra—Patrícia—mencionou que o pai lhe aconselhava a escolher o caminho do meio e a evitar os extremos. “Busque a moderação em tudo que fizer!”, era uma das frases favoritas dele. Patrícia formou-se em administração de empresas. Quanto ao Joel, escutamos uma gravação da filha Mylene que mencionou a paciência e polidez do pai.  Trabalhou como mecânico na antiga Rede Mineira de Viação e chegou a montar uma réplica de locomotiva a vapor. Era extremamente habilidoso.

Sobre o André falou sua tia Vânia, destacando o foco que ele tinha em fazer tudo bem feito e com rapidez. Formado em medicina, com especialização em oftalmologia, foi extremamente precoce, chegando a escrever um livro quando ainda criança. Na obra ele mostrou o lado bom dos personagens “maus” das estórias infantis. E, sobre o Oliver, falei eu, seu pai. Oliver faleceu no dia 26 de novembro de 2019. Tinha 39 anos e estava fazendo o que mais gostava—pilotando um avião a jato—quando o avião explodiu ao pousar em um aeroporto de uma fazenda perto de Montes Claros. A característica mais marcante no Oliver era a sua predisposição para ajudar aos amigos e parentes. Durante seu velório umas quatro pessoas me disseram ser ele, o melhor amigo delas. Também relataram que se comunicavam quase que diariamente com ele. Sua tia—Jane, minha irmã—relatou que Oliver tinha se realizado como pai. Dedicava-se com enorme carinho ao Pedro, de 5 anos, e à Mariana de 3. Mesmo cansado, estava sempre disposto a sair e passear com eles.

A homenagem foi encerrada com a oração do Pai Nosso. Ali estávamos 45 parentes de mãos dadas para agradecermos a Deus pela vida daquelas quatro pessoas tão especiais. Foi um momento de grande inspiração, em que os que já partiram—através dos seus ensinamentos de vida—se fizeram presentes. A celebração, que poderia ter sido um momento de tristeza, transformou-se em uma oportunidade para celebrar a vida, destacando o amor pelas plantas medicinais, a paciência, a habilidade no trato com as pessoas e as máquinas, o foco no lado bom das pessoas, a alegria em servir e o zelo com os filhos.

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