Perdoai-nos as nossas dívidas.

“Perdoai-nos as nossas dívidas ( ou ofensas), assim como nós as perdoamos a nossos devedores (ou à quem nos tem ofendido)”.

Jesus explica para Maria Valtorta o significado dessa súplica:“Há dívidas materiais e dívidas morais. Há também as dívidas espirituais. É dívida material a moeda ou a mercadoria que tomada emprestada, não foi restituída. É dívida moral a estima tomada e não devolvida. É dívida espiritual a obediência a Deus, do qual muito se exige e ao qual se dá bem pouco. Devemos também o amor a ele. Ele nos ama e deve ser amado assim como se ama a uma mãe, uma esposa, um filho, do qual se exigem tantas coisas. O egoísta quer ter e não dar. Mas o egoísta está entre os antípodas do Céu.

“Temos dívidas com todos. Desde Deus até o parente, e deste até o amigo, do amigo até o próximo, ao criado e ao escravo, sendo todos eles seres como nós. Ai de quem não perdoa! Não será perdoado. Deus não pode, por justiça, perdoar a dívida que a pessoa tem para com ele que é Santíssimo, se ela não perdoa a seu semelhante” (Maria Valtorta, O Evangelho como me foi revelado. Centro Editoriale Valtortiano; página 309).

Na formulação original o Pai Nosso usa a palavra “dívidas” em vez de “ofensas” e “devedores” em vez de “à quem nos tem ofendido”. Jesus explica que as dívidas se referem às coisas, à ética e à espiritualidade. Ao sermos vítimas de agressões, sejam elas referentes ao nosso físico, à nossa moral ou a nossos valores espirituais, devemos perdoar. Dessa forma, o nosso Pai, também irá nos perdoar. Jesus—do cimo do suplício da cruz—pediu: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Assim, ele mesmo nos mostrou até onde deve chegar a nossa capacidade de perdoar. O papa João Paulo II perdoou ao homem que atirou nele.

A cura de nossas feridas somente é conseguida quando conseguimos perdoar. A primeira pessoa a ser perdoada somos nós mesmos. Vivemos nos acusando por tantos erros cometidos ao longo da vida. Muitos  carregam pesadas culpas e não conseguem progredir nem material, nem espiritualmente. Carregamos um juiz interno que cresce em severidade à medida que nos acusamos. Para isso precisamos nos aceitar. Não é que vamos justificar nossos erros, mas vamos sim, nos responsabilizar por eles e buscar corrigi-los. Vamos fazer de tudo para mudar nossos pensamentos, palavras, sentimentos, atitudes e comportamentos.

O nosso crescimento material, moral e espiritual ocorre através de um processo de tentativas e erros. Não podemos deixar que os erros nos paralisem. Thomas Edison tentou centenas de vezes criar a lâmpada incandescente. Santo Agostinho, até converter-se ao cristianismo, foi um pecador contumaz. Após cada queda, devemos “sacudir a poeira e dar a volta por cima”.

Com o intuito de aliviar a dor de nossas culpas, a Igreja criou o sacramento da confissão. Quando a pessoa confessa seus pecados, ela sai do confessionário aliviada. Pronta para uma nova vida! E, para que isso aconteça, além de se perdoar, deve perdoar também aos outros. Peçamos a Deus a força necessária para—pelo menos—termos o desejo de perdoar a nossos inimigos. O desejo é o primeiro passo. O segundo é o de orar por eles. E, o terceiro, é perdoá-los de fato. Ao fazer isso, não os estamos beneficiando, mas sim a nós mesmos.

Depois da segunda guerra mundial, um rabino que acabara de chegar a Nova York foi entrevistado por um repórter que lhe perguntou: “como o senhor se sente com relação a Hitler?”. Ele respondeu: “Eu decidi deixar Hitler na Alemanha. Por isso, eu o perdoei. Esses outros judeus que não o perdoaram, trouxeram Hitler com eles”. A melhor forma de se ver livre de um inimigo—por incrível que pareça—é perdoando-o!

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