Por que não reclamar?

 

Entrei no espaço de vida saudável do Márcio Torres e lhe perguntei como tinha sido o impacto do isolamento em seus negócios (durante o primeiro semestre de 2020). Ele me respondeu com um sorriso no rosto: “Fantástico!”. Caímos na gargalhada. Com uma palavra ele resumiu tudo e não reclamou de nada. Sem dúvida seus rendimentos tinham sido abalados com o fechamento do negócio. Mesmo assim, ele conseguiu se conter. Não disse nada de negativo sobre a situação. Mais ainda, me revelou que aproveitou o tempo para sair de sua zona de conforto e buscar novas oportunidades.

Dias depois fui a outro local onde é servido o shake Herbalife e fiz a mesma pergunta. O proprietário me disse: “Minha esposa e eu conseguimos uma grande vitória: durante esse período não reclamamos de nada. Aproveitamos os dias em que o espaço ficou fechado para ficarmos em casa e fazermos coisas que antes não tínhamos tempo para realizar, tais como, desfrutar de um gostoso churrasco e bater um papo tranquilo. Agora que reabrimos, estamos colhendo os frutos dessa atitude positiva, pois voltamos ao trabalho com energia total!”.

Enquanto a maioria dos comerciantes reclamava—projetando filmes de terror em suas mentes—eles se desafiavam.

Até eu, que sou um otimista inveterado, tive a tentação de reclamar, mas com um esforço colossal consegui manter a boca fechada. Em vez disso, mantive as caminhadas diárias e intensifiquei as leituras. Mas, tive quedas desastrosas com relação ao celular. Às vezes, me entregava por horas “entretido” com as reclamações e os xingamentos referentes aos exageros do isolamento e suas consequências desastrosas.

Mas, por que não reclamar? Eis a questão.

Você conhece alguém que reclama? Conhece alguém que reclama muito? Como é a vida dessa pessoa? Leve? Saudável? Próspera? Tem muitos amigos? Sorri com frequência? Você corre até ela quando a vê na rua? Caso ela já tenha falecido, teve vida longa? É lembrada com alegria pelos familiares e conhecidos?

Tive uma prima, mais velha do que eu, que nos visitava de vez em quando. Eu, ainda criança, a escutava conversando com meu pai, reclamando da vida, e lhe pedindo ajuda. Meu pai a socorria. Ela teve câncer e morreu cedo. Também conheço uma mulher que reclama de tudo. Para ela a existência é um fardo difícil de carregar, embora tenha uma vida confortável, não consegue ficar sem achar defeito nas coisas. Reclamou tanto de seu filho mais novo que—assim que ele fez 18 anos—mudou-se para longe dela.

Will Bowen, no livro Pare de reclamar e se concentre nas coisas boas (Editora Sextante), escreve o seguinte: “Reclamar é se concentrar no que não queremos. É falar sobre o que está errado. E tudo aquilo em que concentramos a nossa atenção, se expande”.

Imagine a dinâmica: pensamentos geram emoções, que são verbalizadas e passadas adiante. Quando você adota uma atitude positiva gera emoções saudáveis produzindo serotonina, que promove o seu bem estar e a sua saúde. Mas, ao reclamar gera emoções negativas produzindo cortisol, que praticamente envenena seu sangue debilitando o seu sistema imunológico. Assim como pensamos, nos transformamos!

Nossos pensamentos não influenciam apenas a nós, mas também aos outros. Isso porque, eles direcionam o conteúdo de nossa conversa, que por sua vez influencia o que os outros pensam. Ao levantar o assunto do isolamento com o Márcio, eu esperava por uma reação negativa. Mas, quando afirmou que havia sido “fantástico!”, ele mudou o meu foco e o meu humor. Eu, que havia chegado ao local projetando em minha mente um filme preto e branco—de repente—passei a enxergar cenas coloridas de oportunidades.  Ao não reclamar, Márcio—sem querer—realizou o milagre da transformação do vinagre em vinho!

 

 

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