Ser generoso.

Generosidade atrai prosperidade. Tive a sorte de possuir um pai generoso. Era também próspero. Qual atitude chegou primeiro—a generosidade ou a prosperidade? Eu acredito que foi a generosidade, pois desde a época em que era pobre, amava dividir o que tinha. Depois que os seus negócios prosperaram, a sua generosidade deslanchou. Aos pobres oferecia alimentos por meio de sua participação na Sociedade São Vicente de Paulo. Aos amigos, convidava para participarem de ações beneficentes. Adotou o lema do Rotary Club: “Dar de si, antes de pensar em si!” (Service above self). Não tinha apego a coisa alguma e ajudava com força a seus irmãos menos favorecidos.

Na obra O papa e o executivo (Petra Editora), Andreas Widmer associa a generosidade a uma das características da liderança de João Paulo II. Relata que o papa, logo após receber presentes—e eram muitos—os dava para outra pessoa. “Ele agia desse modo enquanto era padre e bispo, e continuou a agir da mesma forma quando foi eleito papa”. E, os presentes que não conseguia dar durante o ano, ele os guardava para distribuir no Natal para os membros da Guarda Suíça e para os outros funcionários do Vaticano.        

Além de sua generosidade relativa às coisas materiais, João Paulo era também pródigo em distribuir bênçãos e graças. Foram tantos os milagres atribuídos à sua poderosa intercessão que foi preciso um livro inteiro para descrevê-los (O papa dos milagres, Andreas Englisch). Porém, um dos seus milagres mais extraordinários foi a recuperação de um padre que havia se tornado mendigo (O papa e o executivo, Andreas Widmer).

Widmer conta que um padre americano informou a João Paulo que havia encontrado com um colega que havia sido ordenado junto com ele em Roma, só que esse padre havia se transformado em mendigo. O americano ficou curioso para saber como aquilo tinha acontecido e o mendigo lhe relatou suas péssimas escolhas de vida e seus graves erros, coisas que destruíram a sua vocação.

Depois de ouvir o relato do padre americano, o papa generoso convidou o padre mendigo e o americano para jantar com ele. Foi além, depois do jantar pediu ao mendigo que o confessasse. E, após a confissão, o próprio padre mendigo pediu para se confessar com o papa, que o absolveu de suas inúmeras faltas. Não só isso, também o reintegrou à Igreja Católica e lhe deu a missão de ajudar a todos os seus companheiros de rua. Quando o papa lhe passou essa tarefa disse o seguinte: “você terá a missão de ajudar todos os nossos companheiros mendigos que vivem em sua região. Pois é isso que todos nós somos” (O papa e o executivo, A. Widmer, p. 196).

João Paulo se considerava um mendigo perante Deus. De fato, é isso que todos somos. Por mais rica que seja uma pessoa, se comparada com a capacidade doadora do Criador, é apenas mais um mendigo. Aquele que nos doou a vida e tudo o que somos, também espera que sejamos generosos com os nossos irmãos. E, como o Doador da Vida não se deixa superar em generosidade, quanto mais doarmos, mais receberemos. Enfim, a mão que doa e a mesma que recebe!


 

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